A CGTP considerou esta sexta-feira que o aumento do Produto Interno Bruto português de 0,5% no 4º trimestre, face ao anterior e a recessão anual de 1,4% em 2013, evidenciam que «não há recuperação económica» sem relançamento da procura interna.

Comentando a estimativa rápida das Contas Nacionais do 4º trimestre hoje publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a CGTP destaca que «estes dados confirmam que não há recuperação económica sem um relançamento da procura interna» do país.

A evolução do PIB, de acordo com o INE, evidencia o facto de a evolução ter sido determinada, «em larga medida», por «alguma recuperação da procura interna», em particular do consumo privado, tendo havido também «um contributo positivo» da procura externa, impulsionada pelo crescimento das exportações.

«Não se pode acalentar a ilusão de que a crise acabou», critica a central sindical, realçando que o PIB português voltou a cair no conjunto do ano (-1,4%) e o crescimento trimestral face ao 3º trimestre é baixo (0,5%)».

Para a CGTP também «não se pode falar em fim de crise» quando a taxa de desemprego supera 16%.

A CGTP aponta outros fatores que terão de ser ultrapassados para que o Governo possa dizer que «Portugal saiu da crise», nomeadamente a tendência de queda dos rendimentos dos trabalhadores e dos reformados, a emigração e a melhoria das políticas sociais.

A CGTP refere também que há fatores conjunturais, caso do turismo, que tiveram «um bom ano de 2013», beneficiando da instabilidade vivida no Norte de África, e o comércio que registou também «alguma melhoria» devido às promoções «em larga escala» no período que antecedeu o Natal, «certamente animado pela conquista da reposição dos subsídios de Natal dos trabalhadores da Administração Pública e dos pensionistas, na sequência da decisão do Tribunal Constitucional».

Mas para a CGTP, «não se vislumbra uma mudança significativa numa economia que continua débil e em que o investimento produtivo das empresas não está a subir e há uma forte quebra do investimento público».

Sobre as perspetivas para 2014, mantém-se, segundo a central sindical, «uma política de austeridade que irá diminuir o rendimento disponível e afetar uma vez mais as condições de vida das pessoas, nomeadamente com os cortes salariais e o alargamento da Contribuição Extraordinária de Solidariedade a mais 165 mil pensionistas e reformados».

O nível da dívida pública «é gigantesco», alerta ainda a CGTP, que considera que a economia portuguesa «está à beira da deflação».

Num quadro de «destruição de riqueza» e de «aumento exponencial de desigualdade» na sua distribuição, a CGTP-IN reitera «a necessidade de dinamizar o apoio à procura interna», nomeadamente com o aumento dos salários e do Salário Mínimo Nacional, a reposição dos salários dos trabalhadores da Administração Pública e das pensões, a dinamização da contratação coletiva, bem como da redução da carga fiscal sobre salários e pensões e o alargamento da proteção social.