Todos os dias notas e moedas circulam no mundo inteiro e passam pelas mãos de milhões de pessoas. Também cada um de nós toca em dinheiro diariamente, mas a verdade é que não nos lembramos que com as notas e moedas vem um grande quantidade de sujidade e bactérias, que acabam por circular de um lado para o outro.

Um artigo publicado na CNN, pela bióloga Johanna Ohm, revela a lista de coisas encontradas no dinheiro, que inclui ADN dos nossos animais de estimação, vestígios de drogas e bactérias e vírus que podem causar doenças.

Um estudo publicado em abril, na revista científica PLOS ONE, identificou mais de cem bactérias diferentes nas notas de dólares, que circulam em Nova Iorque. Algumas das mais comuns e frequentes são a Propionibacterium acne, uma bactéria conhecida por causar acne e a Streptococcus oralis, que é encontrada muitas vezes nas nossas bocas.

A equipa de cientistas, liderada pela bióloga Jane Carlton, da Universidade de Nova Iorque, descobriu também nas notas de dólares vestígios de ADN de animais domésticos e de bactérias específicas que estão associadas a determinados alimentos.

Em novembro, foi publicado um estudo semelhante, que analisou os traços de ADN deixados nas caixas de multibanco e permitiu conhecer o que as pessoas dos diferentes bairros de Nova Iorque comiam. Foi concluído que as pessoas do bairro de Harlem tinham comido mais frango do que as pessoas do bairro de Flushing ou Chinatown, que optaram por peixe e moluscos. Os vestígios destes alimentos foram transmitidos dos dedos das pessoas para os ecrãs táteis.

Outras das substâncias presentes no dinheiro são as drogas. Vestígios de cocaína foram encontrados em quase 80% das notas de dólares. Também a morfina, heroína, metanfetamina e enfetamina podem estar presentes nas notas, embora seja menos comum do que a cocaína.

A identificação dos alimentos que as pessoas comem ou das drogas que as pessoas consomem, com base nos vestígios deixados no dinheiro, pode não parecer muito útil, mas os cientistas estão também a usar esses dados para estudar doenças.

 

Pode o dinheiro fazer mal à saúde?

A maioria dos micróbios que os investigadores de Nova Iorque identificaram no dinheiro não causam doenças. Contudo, outros estudos já realizados sugerem que determinados microrganismos causadores de doenças podem ser transmitidos através das notas e moedas.

De acordo com o artigo da CNN, ficou provado que as bactérias nocivas para a saúde, transmitidas pelos alimentos, como a Salmonella e a E. Coli, conseguem sobreviver em moedas e que podem esconder-se nas caixas de multibanco. Outras bactérias, como a Staphylococcus, que causa infeções na pele, foram encontradas em notas nos Estados Unidos e no Canadá, mas a extensão até onde podem espalhar infeções ainda é desconhecida.

A boa notícia é que, apesar dos micróbios que causam doenças sobreviverem em lugares como caixas de multibanco, a maioria das exposições e contactos com eles não nos deixam doentes.

 

Como tornar o dinheiro mais limpo

Embora não seja comum que uma doença seja transmitida através do dinheiro, a verdade é que torná-lo mais limpo é importante e já existem maneiras para o fazer. Os investigadores estão a trabalhar numa forma de limpar o dinheiro, quando são feitas transações. A ideia é criar uma máquina onde se insere o dinheiro e que o expõe a dióxido de carbono a uma temperatura e pressão específicas, o que irá permitir tirar o óleo e a sujidade deixados pelos dedos humanos. Enquanto isso, o calor acaba também por matar os micróbios.

Ainda não se sabe ao certo em que medida é que o dinheiro permite que as doenças se espalhem, mas é importante ter alguns cuidados básicos. O melhor mesmo é lavar sempre as mãos, depois de manusear o dinheiro, e não colocar na boca.