A Associação Portuguesa de Bancos (APB) considerou esta segunda-feira positiva a intervenção do Banco de Portugal no âmbito da resolução do problema do BES e manifestou disponibilidade para colaborar com as autoridades para «o sucesso» das medidas adotadas.

Bancos vão fazer contribuição de 133 ME para Fundo de Resolução

«A APB considera positiva a intervenção do Banco de Portugal para efeitos de resolução do problema do Banco Espírito Santo (BES) dada a sua natureza sistémica», refere um comunicado da associação presidida por Faria de Oliveira.

De acordo com a nota, a APB e os bancos associados «manifestam a sua disponibilidade para colaborar com as autoridades e, designadamente, com o Fundo de Resolução, para o sucesso das medidas adotadas e a mais rápida alienação das ações do Novo Banco».

A APB ressalva ainda que «a decisão tomada pelas autoridades relativa à medida de resolução ao BES, de que ainda não se conhecem todos os detalhes, insere-se no quadro legal existente, não tendo envolvido a participação da APB ou dos seus associados, que também não fazem parte da gestão do Fundo de Resolução, que é por eles financiado».

O BES, tal como era conhecido, acabou este fim de semana depois de o Banco de Portugal (BdP) ter anunciado a sua separação num 'banco bom', denominado Novo Banco, e num 'banco mau' ('bad bank').

O Novo Banco fica com os ativos bons que pertenciam ao BES, como depósitos e créditos bons, e recebe uma capitalização de 4.900 milhões de euros enquanto o 'bad bank' ficará com os ativos tóxicos.

O capital é injetado no Novo Banco através do Fundo de Resolução bancário, criado em 2012, para ajudar a banca a resolver os seus problemas. Como o fundo é recente, a solução passa por ir buscar a maior parte das verbas ao dinheiro da troika, cerca de 4.400 milhões de euros, ficando os restantes 500 milhões de euros a cargo do Fundo de Resolução, o que obrigará a uma contribuição extraordinária dos bancos que o constituem.

Já os ativos problemáticos do BES, caso das dívidas do Grupo Espírito Santo (GES) e a participação no BES Angola, ficam no chamado 'bad bank'. Este terá uma administração própria, liderada por Luís Máximo dos Santos, segundo o jornal Expresso, e não terá licença bancária.

Após o anúncio do BdP, o Governo, através do Ministério das Finanças, afirmou que os contribuintes não terão de suportar os custos relacionados com o financiamento do BES e a Comissão Europeia anunciou aprovar solução, que está em linha com as regras de ajuda da União Europeia.

O Novo Banco será liderado por Vítor Bento, que substituiu o líder histórico Ricardo Salgado à frente do BES e a quem coube dar a conhecer prejuízos históricos de quase 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre.