As estruturas sindicais da função pública ficaram satisfeitas com a elevada adesão à greve desta sexta-feira, que levou ao encerramento de escolas e serviços públicos, deixou muitos utentes sem consulta e toneladas de lixo por recolher.

A Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública foi a única das três estruturas que convocaram a greve que divulgou dados globais da paralisação, referindo uma média nacional de adesão superior a 80%, cujo impacto foi sobretudo visível nos serviços hospitalares, nas câmaras, nas escolas e nos bombeiros.

Os mapas que ajudam a perceber a adesão à greve

Esta federação, filiada na CGTP, considerou que «os trabalhadores demonstraram hoje a sua unidade e perseverança e que não deixarão de resistir contra políticas de destruição dos serviços públicos e das funções sociais do Estado».

«Esta greve é uma demonstração de grande força e de grande combate contra estas políticas que têm sido bastantes desastrosas e é preciso continuar a luta para exigir a quem de direito [ao Governo] para que se sente à mesa com os sindicatos», defendeu a coordenadora da FNSFP, Ana Avoila, ao divulgar os resultados da paralisação.

O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), o maior associado na FNSFP, registou os maiores níveis de adesão à greve, cerca de 100% nos serviços de recolha de lixo e limpeza urbana de cidades como Évora, Amadora, Sintra e Loures e nos transportes rodoviários municipalizados do Barreiro, Coimbra, Braga e Aveiro.

Segundo dados da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), também filiada na Intersindical, cerca de um milhão de crianças e jovens, do jardim-de-infância ao ensino superior, ficaram sem aulas devido à greve nacional dos trabalhadores da função pública.

Leia também:

Os estabelecimentos de ensino «encerraram hoje devido à conjugação da greve de trabalhadores docentes e não docentes» e nalgumas cidades não houve praticamente aulas.

Para o dirigente da Federação Sindical da Administração Pública José Abraão, os objetivos da greve foram conseguidos pois «foram visíveis por todo o país os efeitos da paralisação».

«Não nos interessa os números de adesão, mas sim os efeitos práticos sentidos nas ruas e por todos os cidadãos e esperamos que o governo tire as devidas conclusões e respeite os trabalhadores da administração pública», disse o sindicalista referindo os «milhares de alunos que ficaram hoje sem aulas, os milhares de consultas por fazer e os milhares de toneladas de lixo por recolher».

Para a presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), Helena Rodrigues, a greve de hoje «foi superior à de 2013 e afetou muitos serviços com visibilidade, como a saúde e a educação, e outro com menos visibilidade como os registos e notariado».

A greve de hoje foi convocada inicialmente pela Federação sindical filiada na CGTP e teve depois a adesão da FESAP e do STE, estruturas filiadas na UGT.

A última greve convergente das três estruturas sindicais da função pública realizou-se a 8 de novembro de 2013.
Na origem da convocação da greve de hoje estão os cortes salariais na função pública, o aumento do horário semanal das 35 para as 40 horas, a colocação de trabalhadores no regime de requalificação, o congelamento das carreiras e a falta de negociação no setor.