Os portugueses trabalharam em média semanalmente 35 horas em 2015, o que corresponde exatamente ao número de horas de trabalho que vai ser reposto na administração pública a 1 de julho.

De acordo com estatísticas da base de dados Pordata, citdos pela agência Lusa, a duração média semanal do trabalho efetivo da população empregada foi de 35 horas no ano passado, variando em função da situação profissional e do setor de atividade económica.

Assim, os trabalhadores por conta própria como empregadores foram os que mais horas trabalharam, com uma média semanal de 46 horas, enquanto os trabalhadores por conta própria como isolados foram os que trabalharam menos horas, com uma média de 32 horas semanais.

Os trabalhadores por conta de outrem trabalharam efetivamente, em média, 35 horas por semana.

A banca e os seguros foi o setor em que a duração média do trabalho efetivo foi mais elevada no ano passado, com 35,9 horas por semana, enquanto a administração pública teve a menor duração média de trabalho, com 33,9 horas por semana.

Estes valores disponibilizados pela Pordata, que tem como fonte dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), podem causar confusão numa altura em que se discute a reposição do horário de trabalho de 35 horas na função pública, mas são dados relativos à duração media efetiva do trabalho semanal, incluindo o trabalho extraordinário.

Ou seja, a referência não é do horário de trabalho estabelecido mas sim do tempo de trabalho cumprido efetivamente, o que, em termos médios, pode ser inferior ou superior, tendo em conta a eventualidade de trabalho extra ou de qualquer redução, como o trabalho a tempo parcial, a redução para amamentação ou ao abrigo do estatuto de trabalhador estudante.

Na função pública, o horário semanal é atualmente de 40 horas, por imposição do anterior governo, mas a maioria das autarquias aplica as 35 horas porque foram estabelecidos acordos nesse sentido com os sindicatos do setor, o que contribui para baixar a média da duração do trabalho efetivo.

Nos últimos 30 anos, os portugueses reduziram gradualmente o seu tempo médio de trabalho efetivo em sete horas, das 42 horas de trabalho semanal em 1985, para as 35 em 2015.

Em 1985 também eram os trabalhadores por conta própria como empregadores que faziam mais horas, 48,9 horas por semana, enquanto os trabalhadores por conta de outrem trabalhavam 39,1 horas e os trabalhadores por conta própria como isolados cumpriam 47,8 horas.

Nessa altura, no setor da agricultura e pesca trabalhavam-se 40,4 horas, tal como no comércio, na função pública trabalhava-se 36,1 horas e na banca e seguros laborava-se efetivamente 34,2 horas por semana.