A Frente Comum decidiu esta quarta-feira marcar uma Cimeira da Administração Pública para 20 de fevereiro que deverá aprovar a realização de uma manifestação nacional no dia 14 de março contra os cortes nos salários dos funcionários públicos.

O secretariado da Frente Comum reuniu-se hoje para fazer um ponto de situação sobre os cortes nos salários e a «ofensiva do Governo» em relação aos trabalhadores da Administração Pública, tendo decidido marcar «uma Cimeira da Administração Pública, com todos os sindicatos, para o dia 20 de fevereiro», disse Ana Avoila no final de uma conferência de imprensa, em Lisboa, citada pela Lusa.

A coordenadora da Frente Comum explicou que a Cimeira irá servir para «aprovar uma forma de luta que poderá incluir uma manifestação a 14 de março».

«Fazemos uma afirmação e uma exigência ao Governo. Os cortes não são definitivos, nós não aceitamos que o sejam, e queremos o seu fim», realçou a dirigente sindical, lembrando que a Frente Comum quer dizer isto ao executivo e à opinião pública.

Após voltar a insistir que «os cortes dos salários são temporários e não são definitivos», Ana Avoila disse que a Frente Comum vai pedir ao Governo que marque um calendário para começar a discutir a reposição daquilo que foi «tirado aos trabalhadores».

O secretariado da Frente Comum discutiu não só os problemas que se vivem nos locais de trabalho, principalmente depois dos cortes dos salários dos trabalhadores da Administração Pública, o aumento do horário de trabalho, bem como a reforma do Estado que tem como objetivo «destruir as funções sociais do Estado português».

A Frente Comum criticou ainda «toda a propaganda que o Governo anda a fazer» sobre a recuperação do país, dizendo que «o pior já passou e que o défice reduziu-se e que ainda se vai reduzir mais, bem como que há condições para um maior investimento e para um maior emprego», no fundo, «que está tudo no mundo das flores».

Segundo Ana Avoila, o discurso do Governo «não passa de uma cabala, porque, efetivamente, as coisas não são assim».

Portugal empobreceu, diz a Frente Comum reiterando que «há mais desemprego» e que o discurso do Governo «tem a ver com as próximas eleições para o Parlamento Europeu».

«Não é verdade que o desemprego esteja a diminuir, pois há mais de 1,5 milhões desempregados», lamentou a dirigente sindical.