A Frente Comum considerou esta segunda-feira que as afirmações do primeiro-ministro neste fim de semana são «um filme de terror» e acusou o Governo de «chantagem e aldrabice» quando diz que é preciso cortar pensões para evitar um segundo resgate.

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«O ambiente foi de um filme de terror [aquele] que neste fim de semana andou aí por fora, com chantagem e com aldrabices [segundo as quais o Governo diz que] tem de cortar as pensões, se não vem aí o segundo resgate», afirmou Ana Avoila, dirigente da Frente Comum, à entrada para uma reunião com o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, no Ministério das Finanças, em Lisboa.

Ana Avoila referia-se às declarações de sábado de Passos Coelho, durante um jantar de campanha do PSD em Alcanena, Santarém, em que considerou que existe um preconceito dos mercados em relação a Portugal, que torna «mais difícil» a conclusão do atual programa de resgate.

«Nós pensamos que está aí o segundo, que vão cortar nas pensões, nos subsídios. São mentirosos, são aldrabões e tentam a todo o custo fazer um recálculo da aposentação, para este tipo de mudança falsa», acrescentou, referindo-se à proposta do Governo sobre o corte de 10% nas pensões dos funcionários públicos, que já foi entregue à Assembleia da República.

De acordo com a proposta do Governo onde se prevê a convergência das regras do regime de aposentação da Caixa Geral de Aposentações para as regras de aposentação da Segurança Social, os cortes no valor das pensões já em pagamento serão aplicados de forma progressiva às pensões acima de 600 euros e às pensões de sobrevivência de valor superior ao valor do Indexante de Apoios Sociais (IAS), 419,23 euros.

A sindicalista disse ainda que a proposta que o Governo enviou ao parlamento tem uma exposição de motivos diferente da que incluiu na proposta enviada aos sindicatos, considerando que, com isso, o executivo pretende apenas pressionar o Tribunal Constitucional.

«Há 10 páginas que estão a mais em relação às que tinham dado aos sindicatos, em que fazem uma panóplia de argumentação referindo-se ao que foi aprovado nos tratados para fazer a convergência das pensões», disse Ana Avoila, referindo que «quanto à redução que já houve nos salários da Administração Pública já não dizem nada».

Para a sindicalista, «o que está ali é uma pressão para o Tribunal Constitucional, para que não use os seus poderes no sentido de fiscalizar tudo o que é inconstitucional e não inconstitucional».