O Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública (FESAP) considerou esta terça-feira positivo o aumento do número de funcionários públicos no terceiro trimestre deste ano, pela primeira vez desde 2011, considerando que vai proporcionar um melhor serviço às populações.

Em declarações hoje à agência Lusa, a propósito dos dados divulgados na segunda-feira pela Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), que dão conta da existência de 649.294 funcionários nas administrações central, local, regional, um aumento de 0,3% em comparação com 2014, o dirigente da FESAP José Abraão, disse que estes números “são positivos”.

“É sempre positiva, na medida em que o grau de destruição no que diz respeito ao emprego público foi de tal ordem e o mau funcionamento de alguns serviços é de tal maneira que justifica olhar de forma diferente para os serviços públicos, quer nas escolas, nas autarquias, quer na saúde”, sublinhou o dirigente sindical.


Na opinião de José Abraão, os dados são “claramente um bom sinal para as pessoas que conseguem emprego, para os serviços que ficam dotados de mais recursos humanos e para as populações, que ficam mais bem servidas”.

De acordo com os dados da DGAEP, a Função Pública registou uma subida de 0,3% no número de trabalhadores, relativamente ao terceiro trimestre de 2014, apesar de ter perdido 5.387 trabalhadores no terceiro trimestre deste ano, ou seja, uma quebra de 0,8% face ao trimestre anterior.

A 30 de setembro de 2015, o emprego na administração pública correspondia a 649.294 postos de trabalho, um total que era de 654.681 em junho deste ano e de 647.139 em setembro do ano passado.

Segundo o mesmo relatório, na origem do aumento do número de funcionários públicos está a redução significativa de quase 61% das saídas por aposentação.

Os dados indicam também que as saídas definitivas caíram 18% e as entradas na função pública tiveram um aumento de quase 45%.

“É natural que algum dia essa tendência de reduzir por reduzir teria de ser travada. Esperamos que com esta tendência de inversão se possam vir a prestar melhores serviços às populações”, declarou.


O dirigente da FESAP lamentou, no entanto, que os trabalhadores que entram agora na função pública estejam a ser alvo de uma política de baixos salários.

“A maioria vai ganhar 450 euros ao fim de cada mês”, concluiu.