A Europa está em suspenso à espera que este dia acabe e se saibam os resultados do referendo ao Brexit. As urnas abriram antes dos mercados e estes quiseram dar um impulso ligeiramente otimista quanto ao referendo deste 23 de junho. Otimista, leia-se, quanto à permanência dos Reino Unido na União Europeia. É essa a aposta dos investidores ainda que, claro, haja nervosismo e incerteza à mistura, uma vez que pelas sondagens o país está dividido. 

Certo é que houve luz verde no arranque da sessão bolsista, Europa fora: Londres a subir mais de 0,5%, Frankfurt também. Paris ainda mais (quase 0,9%), bem como Milão. Madrid e Lisboa estão a ganhar um pouco menos, cerca de 0,4%.

A libra está também com grande fôlego, tendo atingido o valor mais alto deste ano em relação ao dólar, nos 1,4844, antes do início da votação. . 

Este será mais um momento decisivo na história de uma relação conturbada entre o Reino Unido e a comunidade europeia. As sondagens, que mostram um país dividido, não permitem antecipar um resultado. E a juntar a isto há um acontecimento que abalou o país nos últimos dias e que pode influenciar as intenções de voto: o homicídio da deputada europeísta e pró-imigração Jo Cox. O que está em jogo é mais do que o futuro do Reino Unido. É o futuro do próprio projeto europeu, como o conhecemos.  

Apesar de o termo ser recente, a ideia do "Brexit" não é nova, antes pelo contrário. Fala-se sobre a saída do Reino Unido da UE praticamente desde a entrada do país na então Comunidade Económica Europeia. É uma espécie de casamento sem amor.

Espera-se alguma cautela nos mercados. Ontem, as bolsas norte-americanas encerraram a perder ligeiramente. Veremos como abrirão ao início desta tarde. Hoje, os mercados asiáticos fecharam em alta. 

Lisboa: Pharol em destaque

Quanto a Lisboa, depois de ter recuado 0,23%, pressionada pelo tombo de quase 26% da Pharol, hoje acompanha o sentimento positivo europeu. 

As acções da Pharol, que é a maior accionista da brasileira Oi, negociaram ontem um volume de quase 35 milhões de acções, a representar mais de quatro vezes a média do último mês.

As ações da antiga PT SGPS continuam a cair, embora menos, cerca de 2%, para 0,093€.

A Oi enfrenta um enorme desafio ao tentar reorganizar-se sob a complexa lei de protecção de credores no Brasil, oferecendo aos rivais uma oportunidade de reforçar a sua dominância do mercado. Segundo analistas citados pela Reuters, a recuperação judicial será dificultada pela sua complexa estrutura de dívida e largo espectro de credores. Este problema, bem como risco de não haver reembolso das obrigações da PT, a cargo da Oi, estão a afetar a Pharol.