Está a apertar-se cada vez mais o cerco à Volkswagen. Agora são associações para a defesa do consumidor da Lituânia, Eslováquia, Eslovénia e Suíça que vão recolher queixas de proprietários de automóveis afetados pelo escândalo das emissões poluentes para exigir indemnizações em tribunal.

Num comunicado divulgado pelo Gabinete Europeu das Uniões de Consumidores (BEUC) na sua página na internet, lê-se que os proprietários de automóveis afetados originários destes quatro países devem inscrever-se neste organismo ou na plataforma myRight3, de forma a “processar a Volkswagen num tribunal alemão”.

Antes destas, já as associações Altroconsumo (Itália), DECO (Portugal), OCU (Espanha) e Test-Achats (Bélgica) avançaram com a campanha “Quero justiça”, para conseguir em tribunal uma compensação monetária para os consumidores afetados.

Além disso, as entidades exigiram a revisão de todos os veículos com o software fraudulento da marca e a resolução técnica dos problemas das emissões de forma a não afetar o desempenho dos automóveis.

A diretora-geral do gabinete, Monique Goyens, frisa que “a Volkswagen enganou os seus clientes numa escala sem precedentes”.

Os consumidores europeus foram enganados ao comprar um carro ilegalmente equipado […] e é terrível que a Volkswagen se continue a recusar a pagar indemnizações”

Justiça como nos EUA

Os clientes europeus reclamam justiça, como aconteceu nos Estados Unidos, onde a VW chegou a acordo para encerrar os processos sobre o caso, pagando para isso 4.400 euros a cada cliente.

No Brasil, também há processos em curso. Na Europa, o atual presidente executivo da Volkswagen, Matthias Müller, recusou o mesmo nível de compensação para estes clientes, dizendo que isso seria “inapropriado” e “insustentável”.

Para Monique Goyens, se a Volkswagen for ilibada, é transmitida a ideia de que a manipulação das emissões poluentes não tem efeitos colaterais, e isso aplicar-se-ia não só ao setor automóvel como a outros.

Na passada quinta-feira, autoridades de defesa do consumidor e a Comissão Europeia instaram a Volkswagen a concluir “rapidamente” a reparação de todos os veículos afetados.

Em causa está uma investigação feita nos Estados Unidos em 2015, que revelou que a Volkswagen manipulou o dispositivo das emissões poluentes em veículos a gasóleo.

A empresa alemã admitiu a fraude, que envolveu  11 milhões de carros vendidos em todo o mundo.

Em Portugal, a Deco Proteste queixou-se em abril de que se verifica um aumento das emissões poluentes de carros da Volkswagen testados depois da intervenção obrigatória da marca alemã para reparar a fraude.

"Fraude massiva" na indústria automóvel

A propósito deste escândalo, conhecido como dieselgate, o candidato do Partido Social-Democrata alemão à chancelaria, Martin Schulz, acusou hoje a indústria automobilística de “fraude massiva” pelo escândalo das emissões poluentes e garante que, se vencer as eleições legislativas na Alemanha, no próximo dia 24 de setembro, vai “exigir contas”.

Schulz fez estas declarações quando interrogado durante uma entrevista televisiva, por um cidadão, que também se interessou pelas consequências para a saúde da poluição atmosférica dos veículos.

O líder do SPD atacou, a esse propósito, a chanceler e sua rival cristã-democrata Ângela Merkel, acusando-a de ter “bloqueado pessoalmente” a opção de uma queixa coletiva contra as empresas do setor automóvel que manipularam as emissões poluentes dos seus motores.