A sede do Deutsche Bank, em Frankfurt, foi hoje alvo de buscas por parte das autoridades que procuram novas provas acerca do caso de fraude que envolveu a falência do grupo de media fundado por Leo Kirch.

Segundo a agência de informação financeira Bloomberg, cerca de um mês depois de o Deutsche Bank ter alcançado um acordo com os herdeiros de Leo Kirch que implica o pagamento de 925 milhões de euros por parte do banco alemão, a procuradoria de Munique abriu uma nova investigação contra funcionários do banco e das firmas de advogados que representam a entidade financeira.

Depois de, na semana passada, as autoridades alemãs terem realizado buscas em duas firmas de advogados, hoje, foi a vez de as buscas incidirem sobre a sede do Deutsche Bank, além das residências de vários colaboradores do banco.

O porta-voz da instituição financeira confirmou à Bloomberg as buscas à sede do banco, escusando-se a tecer mais comentários, depois de um representante da procuradoria de Munique ter já anunciado as diligências das autoridades.

A procuradoria de Munique revelou ainda que Stephan Leithner, administrador do Deutsche Bank que tutela os assuntos legais, também é suspeito num caso relacionado com o de Kirch.

As autoridades pretendem apurar se vários antigos e atuais administradores e diretores do banco mentiram em tribunal, aquando das suas audições no âmbito deste processo.

A batalha judicial que opõe Leo Kirch, que, entretanto, morreu em 2011, com 84 anos, e seus herdeiros ao Deutsche Bank durou mais de 12 anos. Kirch acusava o banco de ter provocado a falência do seu grupo de comunicação social em 2002.

Em causa estava uma entrevista à Bloomberg TV, em Nova Iorque, do então presidente do banco, Rolf Breuer, que lançou dúvidas sobre a solidez financeira do grupo, que tinha canais de televisão para assinantes e direitos de difusão de eventos desportivos.

Seguiu-se o pânico dos investidores e meses mais tarde, o grupo KirchMedia, do qual o Deutsche Bank era um dos credores, foi forçado a declarar falência.

Em fevereiro último, quando foi noticiado o acordo entre as partes em litígio na Justiça, dois gestores do banco, Jürgen Fitschen e Anshu Jain, destacaram ter sido resolvido um «litígio jurídico bem conhecido e de longa data», considerando que o acordo defendia os «interesses» dos acionistas.

«Esperamos alcançar outros progressos neste domínio, etapa por etapa, ao longo de 2014», acrescentaram.

Em 2013, o banco desembolsou cerca de 2,5 mil milhões de euros para resolver vários litígios.