A filial francesa do banco UBS foi acusada de cumplicidade em lavagem de dinheiro agravada por fraude fiscal no quadro de um inquérito em França sobre atração de clientes ricos para abrirem contas na Suíça e fugirem ao fisco.
2004 e 2008, foi complementada com a imposição de uma caução de 40 milhões de euros.

A UBS France já tinha sido acusada por captação ilícita de clientes, bem como três dos seus antigos dirigentes. Contactada pela AFP, a instituição financeira não fez comentários.

A casa-mãe, que tem sede na Suíça, já tinha sido acusada em 2014 por lavagem agravada de fraude fiscal, entre 2004 e 2012, e os juízes Serge Tournaire e Guillaume Daieff tinham-lhe aplicado uma caução espetacular de 1,1 mil milhões de euros.

Esta caução, contestada pelo banco suíço, foi confirmada por dois tribunais superiores.

O inquérito foi lançado depois da denúncia feita por antigos empregados. Um dos elementos centrais da acusação é uma nota anónima transmitida à Autoridade de Controlo Prudencial, que é o regulador bancário.

Este documento detalha um sistema de contabilidade dupla, que permite ao banco incluir as aberturas de contas não declaradas ao fisco na Suíça realizadas pelos seus agentes em França. Este sistema teria permitido a ausência de qualquer registo oficial, ao mesmo tempo que garantia um cálculo discreto do bónus dos agentes.

Uma fonte conhecedora do caso esclareceu que os antigos empregados do banco também explicaram que «o único interesse de colocar o dinheiro» na UBS «era colocá-lo num offshore», ou ainda que «não era-a segredo para ninguém» que «o essencial dos ativos não estava declarado».

A UBS já negou estas acusações e considerou que não está demonstrada a sua implicação nas operações de fraude fiscal.

O assunto evidenciou as suspeitas que pesam sobre o papel dos agentes bancários, que teriam vindo para França para procurar uma clientela rica, composta designadamente de industriais, personalidades mediáticas e desportistas. Os contactos eram estabelecidos em privado, por ocasião de eventos desportivos ou concertos.

Em janeiro, os juízes emitiram três mandados de detenção contra antigos dirigentes da USB na Suíça, que até 2000 estiveram encarregados da gestão de fortunas para França ou Europa Ocidental.