O antigo responsável pela gestão financeira da Tecnoforma foi contratado, sem concurso, pela Parvalorem, a empresa do Estado que gere os ativos tóxicos do BPN, noticia o Público.

Segundo o mesmo jornal, a empresa de Francisco Banha, a Gesbanha, foi contratada para “prestar serviços à direção de apoio à gestão e reporting”, em regime de “avença experimental”.

Em 2006, Francisco Banha foi contratado por Francisco Nogueira Leite para tratar das contas da Tecnoforma, numa altura em que Passos Coelho também era administrador da empresa de formação.

O mesmo Nogueira Leite é agora presidente da Parvalorem, responsável pelos créditos de cobrança difícil do BPN e que passa por um despedimento coletivo de 49 dos 226 funcionários, estando a oposição à espera de explicações sobre o processo no Parlamento.

Nogueira Leite explicou ao Público que contratou a empresa de Francisco Banha para “lidar com questões muito específicas”, que alegou não estarem ao alcance dos funcionários da Parvalorem. Para isso, paga-lhe “2.500 euros por mês”, a título “experimental”.

O presidente da Parvalorem defendeu que o despedimento coletivo serve para ultrapassar “situações insustentáveis”, exemplificando com o afastamento do filho de Oliveira Costa, além de dispensar “pessoas sem funções atribuídas” e “quadros dirigentes e diretores”.

A Comissão de Trabalhadores da Parvalorem, por sua vez, revela que, entre os despedidos, estão “dois membros da Comissão de Trabalhadores, um delegado sindical, uma colega em licença de maternidade, uma grávida e uma colega que estava de baixa por gravidez de risco e que foi mãe esta semana”.

O diário recorda ainda que Francisco Banha já fez consultoria para outras duas empresas das quais Nogueira Leite era administrador: Ecosaúde e Fernave.

O ex-contabilista do BPN fundou também os “business angels”, um clube de investidores. Entre os “membros de referência” desse clube estão Arlindo de Carvalho, ex-ministro do PSD, e um dos seus sócios no Grupo Pousa Flores, José António Neto, que devem 65 milhões à Parvalorem.

Questionado pelo Público, Nogueira Leite respondeu que “não sabia” desta ligação e que o conflito de interesses não se coloca do lado da Parvalorem.

Já Francisco Banha assegurou que a sua empresa "é muito rigorosa a analisar os seus potenciais conflitos de interesses” e que, no trabalho que faz na Parvalorem, não tem contacto com informações sobre devedores do BPN.

Em 2012, numa entrevista ao mesmo jornal, Passos Coelho definiu Francisco Banha como alguém “com muita experiência nas relações com o Estado”.