Croissants, tartes e brioches podem muito em breve tornar-se um artigo de luxo. O alerta é dos profissionais do setor em França e tudo por causa da manteiga.

A Federação dos Empreendedores da Boulangerie, um grupo da indústria que representa os padeiros franceses, descreveu a situação como de "grande crise”.

É que o preço desta commodity nos mercados internacionais está ao rubro.

O preço da manteiga, embora certamente volátil, nunca atingiu este nível antes (…) falta de manteiga parece ser uma ameaça real até o final do ano", afirmou o grupo em comunicado, citado pela CNN.

Como consequência, em França, os preços ao consumidor final dispararam 20% em junho face ao mesmo mês de 2016, segundo dados do Euromonitor.

Na origem deste problema está a falta de leite em França.

Mas descanse quem pensa que por cá vai acontecer o mesmo. Em declarações à TVI24, o diretor-geral da ANIL – Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios, Paulo Costa Leite, assegurou que Portugal não corre esse risco porque “não há escassez de produto no mercado interno”. O consumo até caiu 3% em julho. E sem escassez será difícil imaginar uma subida dos preços no retalho na proporção da escalada internacional.

É que ao nível do mercado internacional, a manteiga “está em valores recorde”, confirma o diretor geral da ANIL.

Só num ano, o preço internacional do quilo de manteiga subiu 70%, comparando agosto deste ano com o mesmo mês de 2016. Atualmente, o quilo de manteiga ronda os 6,5 euros no mercado da commodity (6.500 euros por tonelada).

Uma tendência de alta para a qual tem contribuído, desde há dois anos, o mercado dos Estados Unidos que “está a consumir mais devido à reabilitação da imagem da manteiga”, o que fez “aquecer” o preço durante a crise do leite.

O mesmo não se passava nas restantes categorias de produtos, forçando mesmo a Comissão Europeia a implementar um mecanismo de redução da produção de leite, face ao excesso de oferta que vinha a penalizar os preços.

“Em teoria, o preço da manteiga nem sequer deveria subir porque continua a haver leite em excesso na Europa como um todo”, diz o responsável. Mas se, por um lado, com excesso de leite, pode retirar-se uma parte (a componente gorda do leite) para fazer manteiga – o que equilibraria do lado da oferta, por outro, quem está no mercado tenta primeiro escoar o leite para mercados com mais valor acrescentado, como o dos queijos.

Acresce que em Portugal há muito que a manteiga deixou de estar na moda e a ANIL não perspetiva, para já, uma inversão desta tendência.

A quebra no consumo de manteiga não é de hoje. Tem acontecido década, após década, com os consumidores a abandonarem a manteiga para a trocarem por margarinas e outros substitutos. Os consumidores optam cada vez mais por ingredientes vistos como naturais e menos processados, incluindo manteiga.