Os fundos do Plano Juncker podem ser usados para corrigir os danos causados pelos incêndios em Portugal nos últimos meses, não sendo porém “a melhor ferramenta de financiamento”, disse hoje o vice-presidente da Comissão Europeia.

“O Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE ou EFSI na sigla em inglês) pode ser usado para corrigir os danos causados pelos incêndios. Na teoria, sim, dependendo da natureza do projeto [e] especialmente se o setor privado estiver envolvido”, afirmou o vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, durante um seminário em Bruxelas sobre EFSI 2.0.

Katanien destacou porém que o FEIE “não é a melhor ferramenta de financiamento para este tipo de projetos” e que o Banco Europeu de Investimento “tem ferramentas mais baratas e melhores”.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, disse esta quarta-feira que o levantamento dos prejuízos causados pelos incêndios que deflagraram domingo, atingindo vários concelhos da região Norte e Centro, deverá estar concluído dentro de “duas a três semanas”. Mas o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, já afirmou que os prejuízos nos incêndios de domingo e segunda-feira devem superar os registados no fogo de Pedrógão Grande.

Em Julho, depois de Pedrogão, as contas do Governo apontavam para prejuízos de mais de 500 milhões de euros. Valor que se divide entre 200 milhões de prejuízos e mais uma estimativa de 300 milhões para medidas de prevenção e relançamento da economia.

Plano Juncker apoiou já 300 mil postos de trabalho desde criação

Os fundos do Plano Juncker de Investimento para a Europa já apoiaram a criação de 300 mil postos de trabalho nos países membros, divulgou hoje a Comissão Europeia que espera que até 2020 este número atinja os 700 mil.

Durante um seminário em Bruxelas sobre o futuro do programa, o vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, disse ainda estar “confiante” que será atingido o objetivo do Plano Juncker de mobilizar o total de 315 mil milhões de euros previstos até 2018, adiantando que até ao momento este programa já foi cumprido em 75%.

Os projetos já aprovados no âmbito do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE ou EFSI na sigla em inglês), que sustenta o plano, representam já um volume de financiamento de 47,4 mil milhões de euros, indicou o responsável, adiantando que o programa também já permitiu apoiar cerca de 460 mil pequenas e médias empresas.

Também Ambroise Fayolle, vice-presidente do Banco Europeu de Investimento, manifestou a sua confiança no sucesso do programa que tem sido essencialmente procurado por projetos nos setores de Investigação e Desenvolvimento, Inovação, Eficiência Energética, Economia Digital, Transportes e por pequenas e médias empresas de países do sul da Europa.

“O FEIE está a mudar o Banco Europeu de Investimento. Estamos a chegar a setores e a empresas que não tínhamos atingido antes”, referiu.

O Plano de Investimento para a Europa, conhecido como Plano Juncker por ter sido lançado pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, é um instrumento financeiro através do qual a CE pretende mobilizar 315 mil milhões de euros até 2018.

Em setembro do ano passado, Juncker propôs um plano 2.0 de aumento da duração e de capacidade do Fundo, com vista a mobilizar 500 mil milhões até 2020.

No passado mês de setembro o Parlamento Europeu (PE), a Comissão Europeia e o Conselho da UE chegaram a acordo para que o FEIE 2.0 abranja novos setores, como a floresta, a pesca e a agricultura.

No passado mês de setembro Parlamento Europeu (PE), a Comissão Europeia e o Conselho da UE chegaram a acordo para que o FEIE 2.0 abranja novos setores, como a floresta, a pesca e a agricultura.

Segundo dados até setembro, Portugal obteve já um financiamento global de cerca de 1,9 mil milhões de euros, incluindo 1,1 mil milhões de euros para 17 projetos de infraestruturas e inovação e 795 milhões de euros em financiamento do FEIE para alavancar um investimento de 2,3 mil milhões de euros em 1.564 pequenas e médias empresas e startups.