O diretor europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), Poul Thomsen, afirmou esta sexta-feira que Portugal deve manter o objetivo de consolidação orçamental e prosseguir com as reformas estruturais, mostrando-se confiante de que o país vai continuar a fazê-lo.

«No futuro, no que diz respeito à consolidação orçamental, Portugal precisa de manter o objetivo que definiu para si próprio e estou confiante de que vai fazê-lo», afirmou o ex-chefe de missão do FMI em Portugal.


«Pensamos que a agenda reformista não está concluída (…) e Portugal deve avançar com reformas estruturais», acrescentou o diretor europeu do FMI, numa conferência de imprensa sobre assuntos europeus em Washington, nos Estados Unidos, durante a qual foi questionado sobre se é demasiado cedo para abrandar a austeridade.

Na quinta-feira, o Governo aprovou o Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas para os próximos quatro anos, propondo a eliminação gradual (a um ritmo de 20% por ano) dos cortes salariais no setor público e da sobretaxa em sede de Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS) até 2019.

Os dois documentos deverão ser entregues hoje na Assembleia da República e discutidos pelos deputados na próxima semana e têm de seguir para Bruxelas até ao final de abril, no âmbito das obrigações europeias.

No início desta semana, o FMI divulgou dois relatórios com as previsões macroeconómicas e orçamentais para Portugal, o World Economic Outlook e o Fiscal Monitor (este último coordenado pelo ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar), dando conta de estimativas mais pessimistas do que as apresentadas pelo Executivo liderado por Pedro Passos Coelho.

O FMI afirma que Portugal terá um défice de 3,2% este ano e uma dívida de 126,4% do Produto Interno Bruto (PIB), estimativas que ficam acima das apresentadas pelo Governo nos documentos a enviar a Bruxelas: défice de 2,7% e dívida pública de 124,2% do produto.