O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que Portugal vai continuar a registar défices pelo menos até 2019, ano em que prevê que o défice orçamental do país seja de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Ajustamento orçamental será mais leve mas é preciso mais

No Fiscal Monitor, hoje publicado, o FMI apresenta estimativas para a trajetória do défice até 2019, mantendo as previsões até 2015 em linha com as já apresentadas pelo Governo e pelos credores internacionais no programa de resgate, de -4% este ano e de -2,5% em 2015.

Zona euro pode ter de injetar mais dinheiro na banca

Para 2016, a estimativa do Fundo é que Portugal registe um défice orçamental de 2%, caindo para um défice de 1,7% em 2017, 1,4% em 2018 e para 1,2% em 2019, o último ano da projeção.

Quanto à dívida pública, as previsões da instituição liderada por Christine Lagarde indicam que, depois de ter subido para os 128,8% do PIB em 2013, deverá inverter a tendência este ano, caindo ligeiramente para os 126,7% em 2014 e para os 124,8% em 2015.

No entanto, estas previsões da dívida pública são mais pessimistas do que as da última edição do Fiscal Monitor, de outubro, altura em que o FMI antecipava que a dívida portuguesa atingisse os 125,3% este ano, caindo para os 124,2% em 2015.

Apesar de prever que o ritmo do ajustamento abrande em grande parte da zona euro em 2014, o FMI alerta que em alguns países, «sobretudo na Irlanda e em Portugal», o ajustamento orçamental «vai continuar a ser considerável».

No caso de Portugal, o FMI calcula que o rácio da dívida sobre o PIB caia abaixo dos 120% apenas em 2017, ano em que a dívida deverá equivaler a 119,1% do produto, antecipando que se contraia progressivamente, ficando nos 113,8% em 2019, quase 54 pontos percentuais acima do definido no Tratado Orçamental (60% do PIB).

Olhando para o grupo das economias desenvolvidas, o FMI calcula que os rácios permaneçam elevados até ao final da década: o rácio da dívida sobre o PIB vai ficar, em média, acima dos 100% até 2019 e 14 economias avançadas vão ainda registar dívidas superiores a 80% do PIB nesse ano, incluindo Portugal (113,8%), Chipre (107,9%), Grécia (137,8%), Itália (121,7%), Irlanda (109,1%) e Espanha (102,4%).