O aviso é do Fundo Monetário Internacional: Portugal vai demorar 20 anos a voltar aos níveis de desemprego que tinha antes da crise económica.
 
Esta é uma das conclusões do relatório anual sobre as perspetivas da zona euro, que foi divulgado na segunda-feira.
 
Tendo em conta o passado mais recente e as perspetivas de retoma económica bastante modestas até 2019, Portugal, à semelhança de Itália, precisa de duas décadas para retomar a taxa de desemprego que tinha antes de 2008.
 
Já Espanha levará metade do tempo, 10 anos. França vai precisar apenas de cinco anos até recuperar os níveis de desemprego para valores pré-crise.

"Sem um crescimento significativo, Espanha levará 10 anos, Portugal e Itália perto de 20 anos a reduzir a taxa de desemprego para os níveis pré-crise”.
 

 
Recorde-se que em Portugal, entre 2001 e 2007, a taxa de desemprego rondou os 6,4%. No ano passado atingiu os 14% e hoje mantém-se nos 13%. O pico máximo da taxa de desemprego nacional foi registada em janeiro de 2013 (17,5%).

Neste relatório, o fundo nota ainda que a percentagem de desempregados de longa duração continua a aumentar e que este cenário tem consequências graves: risco elevado de erosão de mão de obra qualificada e enraizamento do desemprego.

E mais: a possível criação de uma "geração perdida" como consequência da "deterioração de potencial humano" resultante da elevada taxa de desemprego jovem também é outra das preocupações do instituto liderado por Lagarde. 

Juros baixos para pagar dívida

No mesmo relatório, o Fundo defende que Portugal deve aproveitar a descida dos juros causada pelo Quantitative Easing (programa de compra de dívida) do Banco Central Europeu para pagar a dívida pública

“Países com margem orçamental reduzida (como França e Portugal) devem aproveitar as descidas dos juros decorrentes do Quantitative Easing para pagar a sua dívida”, escreveu o chefe da missão do FMI à zona euro.

Por outro lado, o FMI defende que os países da zona euro com margem orçamental, como a Alemanha e a Holanda “usem esse espaço para apoiar o investimento e reformas estruturais”.