O Fundo Monetário Internacional (FMI) avisa que a Zona Euro corre o risco de entrar em estagnação e sugere, no «World Economic Outlook», publicado esta terça-feira, que alguns países da moeda única podem precisar de mais tempo para corrigir os défices.

No documento, o FMI prevê que a Zona Euro registe ainda uma contração de 0,4% este ano, mas cresça já 1% no ano que vem.

Por países, a previsão para a maior economia do euro, a Alemanha, melhorou duas décimas e aponta agora para um crescimento de 0,5% este ano. No ano que vem, o crescimento deverá ser de 1,4%, mais uma décima do que se previa em julho.

Também no caso de França as perspetivas melhoraram face às anteriores previsões. Em 2013, passaram de uma contração de 0,1 para um crescimento de 0,2% e em 2014 passaram de um crescimento de 0,9 para outro de 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Também mais otimistas são as previsões para a economia da vizinha Espanha. Mesmo assim, prevê-se uma contração de 1,3% este ano e um crescimento de 0,2% no próximo ano.

Zona Euro ainda em risco e estagnação

O Fundo diz que existem ainda riscos de a zona euro entrar num período de estagnação económica, sendo um dos riscos precisamente os efeitos colaterais do impasse político nos Estados Unidos sobre o teto da dívida pública.

A retoma económica na região e ainda muito fraca, pelo que é necessário que os países continuem a implementar as reformas necessárias para modernizarem as suas economias e assim aumentarem o potencial de crescimento das suas economias.

O Banco Central Europeu (BCE), diz, deve fazer mais para ajudar a criar condições para que o crescimento retorne de forma sustentável à zona euro, incluindo um novo corte nas taxas de juro, uma maior dependência do forward guidance (uma garantia do banco central de um período de tempo em que não haverão alterações nas taxas de juro) e mais medidas não convencionais que ajudem a reparar a fragmentação no sistema de transmissão monetária, e assim melhorar o acesso ao crédito por parte dos agentes económicos, em especial para as pequenas e médias empresas.

Sistema financeiro precisa de avaliação credível

No que diz respeito ao sistema financeiro, a organização liderada por Christine Lagarde diz que é necessária uma avaliação credível ao sistema financeiro da região, com um plano integrado para que os bancos cumpram as metas de capital necessárias e ainda um mecanismo comum de recapitalização dos bancos que permita a desalavancagem ordenada das instituições sem colocar mais pressão sobre os países que já têm problemas com os seus níveis de dívida pública.

Entre os riscos a ter em conta inclui-se ainda o elevado desemprego que persiste nos países do euro, que por sua vez estão a agravar as tensões políticas e sociais, o que prejudica o consenso e o enquadramento necessário para avançar com as reformas necessárias.

«Ajustamento mais lento só se crescimento dececionar

O Fundo Monetário Internacional diz que os processos de ajustamento orçamental nos países periféricos da zona euro vão ser «mais lentos do que no passado», e que só se o crescimento ficar aquém do esperado é que esta questão será «revisitada».

O esclarecimento foi prestado em conferência de imprensa, em Washington, pelo economista Jörg Decressin, a propósito do «World Economic Outlook», onde se admite que alguns países do euro podem precisar de mais tempo para reduzir os respetivos défices.

«A extensão de maturidades que foi garantida é a apropriada e só se o crescimento desapontar é que essa questão vai ser revisitada», disse Jörg Decressin, do Departamento de Estudos do FMI, em resposta a uma pergunta sobre se os países periféricos da zona euro, incluindo Portugal, poderão precisar de mais tempo para a consolidação orçamental.