O Presidente da República Portuguesa reagiu ao pedido de ajuda financeira de Angola ao Fundo Monetário Internacional, dizendo que tudo o que correr bem a este "Estado irmão da CPLP" é bom para Portugal.

Em resposta aos jornalistas, na Escola Secundária Eça de Queirós, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa disse não conhecer ainda pormenores do pedido de assistência financeira, dada a agenda intensa que teve hoje, mas desejou que Angola disponha de "todo o apoio financeiro, todas as condições que permitam um bom futuro económico". "Ainda não tenho conhecimento. Falava-se dessa realidade, mas não tenho dados ainda para poder falar". De qualquer modo, ainda disse:

"Isso é positivo para Portugal. Isto aplica-se a Angola como se aplica a qualquer outra economia de qualquer Estado irmão da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). O que correr bem a esse Estado vai correr bem a Portugal"

O Presidente da República colocou a questão no quadro da lusofonia, dizendo que "a CPLP não é só uma comunidade de língua, é uma comunidade de solidariedade social, económica, financeira".

"Portanto, tudo o que possa correr bem, neste caso a Angola, como a qualquer outro Estado membro da CPLP, é importante para Portugal", completou, salientando que diria o mesmo "de qualquer outro país da CPLP".

Interrogado se há razões para preocupação em Portugal, tendo em conta que Angola é um importante parceiro económico, o chefe de Estado retorquiu que "há razões para Portugal desejar em relação a Angola, como a qualquer outro Estado irmão da CPLP, todo o apoio financeiro".

O Presidente da República escusou-se sempre a falar do que está ou pode vir a correr mal. "O que esperamos é que corra bem".

Angola solicita apoio ao FMI exatamente cinco anos depois de Portugal, que o fez também a 6 de abril, mas de 2011.

Esta não é, no entanto, a primeira vez que o país governado por José Eduardo dos Santos toma esta decisão: já o tinha feito em 2008 e 2009.

A quebra do preço do petróleo tem afetado bastante este que é um dos principais produtores de África, extremamente dependente do setor, já que representa 95% das suas exportações. Só no ano passado, Angola perdeu 5,1 mil milhões de euros com a quebra da cotação internacional no barril de crude

As negociações sobre o programa de ajuda financeira vão começar no final da próxima semana, sendo que ainda não há valores em cima da mesa.