A diretora do Fundo Monetário Internacional enalteceu esta sexta-feira o programa de compra de dívida e a forma como o Banco Central Europeu geriu o anúncio, mas disse que isso não basta para reativar a economia europeia.

«Não creio que seja suficiente para relançar a atividade europeia e dar apoio ao crescimento», afirmou Christine Lagarde, numa entrevista à televisão pública France 2.

Lagarde acrescentou que «é um complemento muito importante, mas que além disso são necessárias reformas estruturais de fundo que ajudem a melhorar a competitividade estrutural de um certo número de economias».

Questionada sobre o tipo de reformas que são necessárias, deu como exemplo o projeto de lei do ministro da Economia francês, Emmanuel Macron, para liberalizar vários sectores, indicando também que «se viram verdadeiras reformas estruturais de fundo em Espanha e que também estão a começar a ser vistas em Itália».

A diretora executiva do FMI considerou «espetacular» a forma como o BCE geriu a comunicação sobre o seu plano de compras de 60 mil milhões de euros mensais em dívida pública e privada porque «o volume surpreendeu o mercado» e porque a operação «foi bem explicada».

Agora, destacou, a questão é se os bancos «vão ter suficiente confiança para dar empréstimos, se os particulares vão ter confiança para gastar e se as empresas vão ter confiança para investir».

Para que tudo isso funcione, argumentou, «a palavra capital é a confiança e a certeza» de todos esses atores num contexto fiscal e económico previsível e favorável às suas decisões.