O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou esta sexta-feira que o Governo decidiu submeter aos parceiros europeus um novo pedido de amortização antecipada de toda a restante dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Decidimos já no quadro do Programa de Estabilidade submeter à Comissão Europeia e portanto também aos nossos parceiros europeus um novo pedido para uma amortização de toda a restante dívida ao FMI", afirmou Passos Coelho, durante um almoço promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana, num hotel de Lisboa.


Antes, o primeiro-ministro recordou que está "em curso a amortização antecipada de cerca de 14 mil milhões de euros ao FMI".

Quanto aos efeitos da amortização antecipada da restante dívida ao FMI, declarou: "Permitirá também, nos próximos anos, um reforço suplementar destas poupanças em juros, que tão importantes serão para aliviar a nossa dívida externa e para permitir, portanto, ao país mostrar ainda maior robustez no caminho que está a realizar".

O primeiro-ministro também aproveitou para assinalar a "operação de troca de obrigações que se iriam vencer em 2017 e 2018 por novas obrigações a nove a 15 anos a taxas de juro bastante mais baixas, respetivamente, 1,78% e 2,47%", feita esta semana.

"Estamos a aproveitar as circunstâncias favoráveis para alongar maturidades de dívida suportando custos muito mais baixos que facilitam a sustentabilidade da dívida."


Na intervenção que fez neste almoço, comemorativo do 10.º aniversário da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana, Passos Coelho apontou o México como uma das prioridades da política externa portuguesa na América Latina.

O chefe do executivo PSD/CDS-PP referiu a "forte capacidade industrial" e a "crescente apetência pelo consumo" como características do México que criam oportunidades de negócio e salientou também a "liberalização dos setores da energia e das telecomunicações" feita pelo Governo mexicano como um processo que abre "novas portas a uma cada vez maior cooperação".

Passos Coelho mencionou também que Portugal tem estatuto de observador e vê "novas potencialidades de cooperação" na Aliança do Pacífico, da qual o México é membro fundador. Este bloco económico criado em 2012 é a favor do comércio livre e considerado concorrente do Mercosul, que existe desde 1991, do qual faz parte o Brasil, e que é mais conotado com o protecionismo económico.

No final do seu discurso, o primeiro-ministro falou da situação de Portugal, sustentando que atualmente o país "pode melhor responder às exigências de uma economia aberta, voltada para as exportações e atrativa no plano da captação de investimentos" e que se verifica "um efeito de estabilização e de recuperação" da economia.

"Estamos a colher os resultados das reformas estruturais que vimos realizando e da credibilidade associada também à capacidade demonstrada para cumprir compromissos. É certo que temos ainda, no plano interno, desequilíbrios para corrigir, de que o desemprego será o caso mais sensível e a necessitar de maior atenção das políticas públicas. Mas, em geral, as perspetivas bastante positivas que hoje enfrentamos anima-nos nesta tarefa de aprofundar e prosseguir um caminho de crescimento e abertura."