A ocupação da Crimeia e as consequentes sanções económicas impostas pela comunidade internacional fizeram o Fundo Monetário Internacional descer a previsão de aumento do Produto Interno Bruto da Rússia em 0,6 pontos percentuais, para 1,3 por cento.

De acordo com o World Economic Outlook, hoje divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washigton, a Rússia deverá manter um crescimento modesto de 1,3% este ano, acelerando para os 2,3% no ano seguinte, o que representa uma revisão em baixa, face às estimativas de janeiro, de 0,6 e 0,2 pontos percentuais, respetivamente.

«As perspetivas de curto prazo na Rússia e em muitos outros países da Comunidade de Estados Independentes foram revistas em baixa, uma vez que o crescimento deverá ser manietado pelas consequências dos recentes desenvolvimentos na Rússia e na Ucrânia devido aos riscos geopolíticos», escrevem os analistas do FMI, que salientam que «o investimento já era fraco, refletindo em parte a incerteza política» decorrente da crise política em que tinha mergulhado a Ucrânia no seguimento do rompimento das negociações com a União Europeia.

A Rússia deverá manter a taxa de desemprego à volta dos 6,2% neste e no próximo ano (depois de ter tido 5,5% no ano passado) e a inflação vai descer gradualmente de 6,8%, em 2013 para 5,8 e 5,3% este ano e em 2015.

No relatório sobre a evolução da economia mundial, o FMI nota que a Rússia e a Ucrânia apresentam riscos geopolíticos, nomeadamente no que diz respeito aos efeitos que podem ter sobre as economias mais próximas e sobre aquelas que dependem destes países para o fornecimento de petróleo e de gás: «Pode haver consequências negativas para os parceiros comerciais vizinhos se aumentar a turbulência que leve a um redobrar da aversão ao risco por parte dos mercados financeiros, ou se houver perturbações no comércio e nas finanças devido à intensificação das sanções e da resposta às sanções"» lê-se no relatório do FMI.

«Principalmente, pode haver um contágio maior se houver grandes perturbações na produção ou no transporte do gás natural ou do petróleo, ou, em menor escala, do milho e trigo», acrescenta o documento.

Devido à situação atual, o FMI não apresenta projeções económicas específicas para a Ucrânia, mas admite que a produção económica vá ser «significativamente afetada», prevendo, no entanto, «um ligeiro crescimento» mais para o final do ano, assumindo que a crise política com a Rússia entretanto se resolve.