Os bancos portugueses arriscam-se a registar perdas de mais 20 mil milhões de euros com crédito malparado nas empresas, se as condições económicas e financeiras não melhorarem, calcula o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A instituição está preocupada com o elevado endividamento das empresas, que torna o seu financiamento de risco mais elevado, contribuindo para aumentar as taxas de juro.

«Tomar medidas para reverter a fragmentação financeira [na Europa] vai ajudar a reduzir as taxas de juros nas economias sob pressão, mas será insuficiente para resolver o excesso de dívida das empresas. Portanto, é essencial que os esforços para melhorar os balanços dos bancos e os progressos para União Bancária sejam complementados por uma estratégia para resolver o problema de excesso de dívida do setor não financeiro», escreve o Fundo no documento.

O FMI dá mesmo o exemplo de Portugal como um país com empresas muito endividadas, sobretudo as Pequenas e Médias Empresas (PME). «Em geral, mais de três quartos da dívida corporativa em Portugal e Espanha e cerca de metade em Itália é devida por empresas com um rácio de dívida igual ou superior a 40%», diz.

Focando-se ainda no caso de Portugal, o Fundo refere que metade das empresas têm pouca capacidade de fazer face ao serviço de dívida e que não o conseguirão se não fizerem «ajustamentos» como redução da dívida ou cortes nos custos operacionais.



A maior parte (60%) das perdas potenciais que a banca enfrenta, em caso de as condições não melhorarem, estão provisionadas, e o FMI estima que os restantes 40% podem ser acomodados com lucros futuros, sem afetar rácios de capital, isto é, sem que seja necessário reforçar capitais. Mas para isso, grande parte dos lucros dos bancos serão absorvidos no processo.

Para resolver o excesso de dívida das empresas, o FMI aponta várias soluções como reestruturação das dívidas, o acesso das empresas a fontes de crédito que não os bancos ou incentivos às seguradoras e fundos para investirem a longo prazo (empréstimos ou obrigações) através de alívio nas metas regulamentares.

Também o Banco Central Europeu tem aqui um papel, considera o FMI, já que a instituição liderada por Mário Draghi pode tomar mais medidas não convencionais para fazer o crédito chegar às PME, diz.