O governo angolano afirma que o pedido dirigido ao Fundo Monetário Internacional (FMI) será para um Programa de Financiamento Ampliado para apoiar a diversificação económica a médio prazo, negando que se trate de um resgate económico.

A posição surge numa "nota de esclarecimento" enviado esta quinta-feira à Lusa pelo Ministério das Finanças, aludindo às "interpretações difusas veiculadas por órgãos da comunicação social angolana e portuguesa" que "revelam algum desconhecimento do 'novo normal' decorrente do processo de ajustamento da economia nacional, com tendência resiliente".

O documento refere que o pedido do Governo angolano ao FMI será para beneficiar do Programa de Financiamento Ampliado (Extended Fund Facility - EFF), um instrumento financeiro "direcionado a reformas estruturais voltadas para a diversificação da economia, reforço da balança de pagamentos, com propósito cimeiro de fortalecer os pilares da sustentabilidade da nossa economia" e "ao contrário de programas de austeridade como por exemplo os programas para resgates económicos".

Preço do petróleo motiva pedido de ajuda

O anúncio foi feito ontem. O Governo de José Eduardo dos Santos pediu ajuda ao FMI. Tanto o FMI como as autoridades do país deram logo indicação pública disso mesmo.

Este pedido de apoio surge numa altura em que Angola atravessa uma crise decorrente sobretudo da quebra do preço do petróleo. 

Num curto comunicado divulgado ontem, o FMI adianta que foi solicitada assistência para os próximos três anos, mediante  "um pedido formal das autoridades angolanas para que sejam iniciadas discussões sobre um programa económico que possa ser apoiado pela assistência financeira do FMI", segundo as palavras do subdiretor geral Min Zhu. 

Pedido revela "situação limite"

O presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário considerou esta quinta-feira que o pedido de ajuda de Angola ao FMI demonstra uma “situação limite”, mas também a vontade do país de “resolver os constrangimentos” que enfrenta.

“Este pedido de ajuda ao FMI [Fundo Monetário Internacional] revela, por um lado, que estamos perante uma situação limite, mas, por outro, demonstra a vontade de Angola em resolver os constrangimentos que está a enfrentar, recorrendo, por isso, a um mecanismo que está à disposição dos países para fazer face a estas questões”, afirmou o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), Manuel Reis Campos, à agência Lusa.

O responsável considerou que o impacto imediato do pedido “deverá, a par da resolução dos constrangimentos financeiros de curto prazo, cumprindo os compromisso que já estão assumidos com as empresas portuguesas, permitir o desenvolvimento sustentado da economia angolana”.

Reis Campos salientou que a confederação tem acompanhado “atentamente” a situação de Angola.