Num discurso cheio de avisos, Mário Centeno disse que os governos europeus não podem dormir sobre os louros da recuperação económica.

O ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo garantiu, na conferência "O futuro do Mecanismo Europeu de Estabilidade" - o mesmo que poderá dar lugar ao chamado Fundo Monetário Europeu -  que há ainda muito a fazer para apagar as marcas que a crise deixou.

"Se soa a aviso, porque é um aviso", disse Centeno, E, por isso, é preciso navegar com cuidado porque a tempestade não está assim tão longe.

O responsável deixa ainda um alerta para aqueles que se aventuram em águas ainda perigosas.

O mecanismo foi criado para lançar a boia de salvação a países, como Portugal e Grécia durante as tormentas da Troika e, ainda que o presidente, Klaus Regling - presente na conferência- sinta que o mar lusitano já amainou, há bons ventos que é preciso aproveitar. O Mecanismo Europeu de Estabilidade até poderá mudar de nome, mas nunca será um Fundo Monetário Internacional (FMI).

Se emprestar dinheiro a países em dificuldades tem em sido bom negócio para o FMI, essa não será a opção de um futuro Fundo Monetário Europeu, garante Regling.

Acordo preliminar sobre fundo dos bancos no final deste mês

O presidente do Eurogrupo defendeu ainda possibilidade de ser concluído no final deste mês, antes do previsto, o acordo preliminar europeu sobre o fundo dos bancos.

“A minha expetativa é que no final deste mês possamos afirmar um acordo de princípio”, afirmou o ministro, numa conferência em Lisboa, adiantando que este “será apenas um passo” mas, na sua opinião, é um passo que “vai mudar a forma como os investidores avaliam o risco”.

No mês passado, os ministros das Finanças da União Europeia chegaram a acordo sobre as regras a seguir pelos bancos para manterem instrumentos - incluindo o mecanismo europeu - que garantam que os investidores participam em caso de resgate, partilhando assim riscos.

Mário Centeno, na sua intervenção, lembrou o “apoio alargado” para atribuir ao mecanismo europeu um novo instrumento para financiar o Fundo Único de Resolução Bancária (‘backstop’), um instrumento de último recurso para um cenário de crise sistémica.

“É uma peça importante da União Bancária. Neste momento falta afinar apenas alguns detalhes nas negociações”, ressalvou o presidente do Eurogrupo, depois de anunciar que a data de introdução desta ‘backstop’ poderá ser antes da data limite, estabelecida em 2016, para 2024.