O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que o ajustamento orçamental será mais leve em 2014 do que foi em 2013, mas alerta que «vão ser precisos esforços adicionais» para levar a dívida das economias desenvolvidas para «níveis mais seguros».

No Fiscal Monitor, hoje publicado, o FMI refere que o ritmo de consolidação mais rápido em 2013 em muitas economias desenvolvidas «ajudou a estabilizar os rácios da dívida pública e [a] reduzir os défices orçamentais»: o FMI estima que, em média, o défice orçamental das economias desenvolvidas seja de 4,3% este ano, cerca de metade do pico registado em 2009, ano em que chegou aos 9,5%.

Por isso, espera-se que, este ano, o ritmo médio de consolidação orçamental nos países desenvolvidos alivie para os 0,4% do PIB, em média, depois de ter alcançado os 1,25% do PIB no ano passado.

No caso da zona euro a instituição liderada por Christine Lagarde calcula que o ritmo do ajustamento abrande este ano, «uma vez que a maior parte do ajustamento necessário para alcançar os objetivos de médio prazo foi alcançado e a atenção está a virar-se para a recuperação» das economias da moeda única.

No entanto, o Fundo alerta que, em alguns países, «sobretudo na Irlanda e em Portugal», o ajustamento orçamental «vai continuar a ser considerável».

O FMI antecipa que o ajustamento seja feito sobretudo através de medidas do lado da despesa em 2014 e 2015, destacando os exemplos de França (com cortes anuais médios previstos de 0,25% do PIB entre 2014 e 2016), de Itália (com cortes previstos de 32 mil milhões de euros em três anos) e da Alemanha (que, por oposição, deverá aumentar a despesa em 1 a 1,5% do PIB até 2017, sobretudo nas pensões, na educação e nas infraestruturas).

Ainda assim, e apesar de reconhecer que a margem para aumentar impostos é limitada em muitos países, nomeadamente na zona euro, o FMI defende que as reformas fiscais ainda podem desempenhar um papel importante.

Para a organização estas reformas devem «remover desincentivos à participação laboral e ao investimento, reduzir ou eliminar isenções não produtivas, potenciar o crescimento e o emprego e promover a equidade».