O Fundo Monetário Internacional (FMI) vai reunir dia 12 para aprovar formalmente a décima avaliação da troika a Portugal, segundo o calendário publicado pela instituição com sede em Washington.

Só depois do FMI é que a décima avaliação será analisada pelo Eurogrupo, «encadeando» com o início da 11.ª avaliação, prevista para 20 de fevereiro, confirmou à Lusa o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas.

O próximo encontro do Eurogrupo está marcado para 17 de fevereiro, ocasião em que deverá ser concluído o processo de aprovação do exame e formalizada a aprovação.

«As duas avaliações deverão encadear-se, mas [a décima] deverá ficar finalizada uns dias antes» de 20 de fevereiro», afirmou Carlos Moedas hoje à Lusa.

A 10.ª avaliação da troika foi o antepenúltimo exame regular ao programa de resgate português, que termina em maio de 2014.

Carlos Moedas falava em Londres após a participação numa conferência sobre o tema "O papel de Portugal e Reino Unido nas economias lusófonas".

Na intervenção, referiu o sucesso na inversão da balança comercial nos primeiros três trimestres de 2013, quando as exportações superaram as importações, e salientou o movimento para a principal das economias lusófonas, Angola.

«As exportações de bens para Angola aumentaram mais de 400% entre 2002 e 2012. Angola é agora o quarto principal destino das nossas exportações, representando quase três mil milhões de euros, ou seja, 1,8% do Produto Interno Bruto», disse.

Porém, rejeitou que a vantagem portuguesa esteja apenas na partilha do idioma:«As empresas portuguesas têm investido em Angola e Moçambique há muitos anos. Como resultado, acumularam conhecimento sobre o funcionamento destes mercados. Estão conscientes das suas principais oportunidades e desafios e estão bem conscientes das culturas de negócio locais». 

Para Carlos Moedas, a mais-valia portuguesa reside no facto de que os empresários lusos «não tentam exportar modelos de negócio feitos em Portugal: ao invés, desenvolvem modelos que se ajustam perfeitamente às necessidades desses mercados». 

Durante esta visita, o secretário de Estado adjunto foi entrevistado pelo Financial Times e segue para Washington, onde dará duas conferências, uma no Peterson Institute for International Economics e outra na Georgetown University.