O atual chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Portugal, Subir Lall, vai ser substituído pelo mexicano Alfredo Cuevas em setembro, após a conclusão dos trabalhos do Artigo IV.

Numa nota emitida nesta sexta-feira, o FMI informou que "decidiu nomear Alfredo Cuevas como novo chefe de missão para Portugal, substituindo Subir Lall" que, após "quase quatro anos nessa função", vai passar a ser chefe de missão para o Egito.

No entanto, o indiano Subir Lall - que, antes de chefiar a missão do FMI em Portugal, liderou as missões do Fundo na Alemanha, na Holanda, na Indonésia, na Coreia do Sul e na Malásia - vai ainda supervisionar a conclusão da consulta ao abrigo do Artigo IV de 2017 de Portugal.

Esta consulta "deve ser discutida pelo Conselho de Administração do FMI em setembro", segundo adiantou a instituição liderada por Christine Lagarde.

Formado em Administração Pública pela universidade El Colegio de México, e com mestrado e doutoramento em Economia na Universidade de Princeton, Alfredo Cuevas é atualmente chefe de missão do Fundo para o Brasil.

Cuevas está no FMI desde 1994, altura em que integrou o Departamento de Assuntos Orçamentais, dedicando-se a assuntos como a reforma da segurança social.

Posteriormente, trabalhou no departamento de investigação do banco central mexicano, a estudar o impacto da adesão do país ao Tratado de Comércio Livre na América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês) e regressou depois ao Fundo, tendo integrado o departamento africano.

Foi chefe de missão para São Tomé e Príncipe, Malawi e Zimbabué e também foi representante permanente na África do Sul e chefe da divisão de estudos regionais.

Em 2011, Portugal pediu um resgate financeiro de 78 mil milhões de euros ao FMI e aos credores europeus, tendo o Fundo emprestado 26 mil milhões desse envelope financeiro.

Além das missões do Artigo IV, que o FMI realiza regularmente às economias de todos os Estados Membros, no caso de Portugal, há também missões de monitorização pós-programa feitas semestralmente e que vão manter-se até que Portugal pague a maior parte do empréstimo concedido.

A taxa de juro que Portugal paga ao FMI por este crédito é superior a 4%, acima do que é cobrado pelos credores europeus e também acima do que atualmente o Estado paga para colocar dívida a 10 anos no mercado, o que tem justificado a estratégia de reembolsos antecipados como forma de poupar na despesa com juros.

Além disso, o FMI empresta dinheiro em função da quota que cada país tem no Fundo e os custos dos créditos concedidos variam tendo em conta o montante emprestado e a respetiva quota: ao montante que exceder 200% da quota acresce um 'spread' de agravamento da taxa de juro de 300 pontos base, o que significa que há também vantagem em antecipar o pagamento da dívida até que o valor por pagar seja inferior àquele limiar da quota.

Desde que Portugal começou a devolver antecipadamente parte do crédito do FMI, em 2015, foram reembolsados mais de 16 mil milhões de euros (cerca de 60%) do envelope total.