
A dívida das empresas públicas relativamente ao PIB fora do perímetro das Administrações Públicas em Portugal quase triplicou nos últimos quatro anos, e registou o maior aumento entre as economias com maiores dívidas, segundo cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Na atualização do relatório «Fiscal Monitor», um documento sobre contas publicadas elaborado pelo FMI, Portugal surge entre os 14 países com maior volume de dívida em percentagem do PIB das empresas públicas que não contam para as contas públicas para efeitos de estatística mas que gozam de garantias implícitas do Estado ou pelas quais o Estado é financeiramente responsável, escreve a Lusa.
Numa análise onde o FMI alerta para o perigo que estas dívidas podem vir a representar para as contas públicas, as contas do FMI apontam para que existam atualmente cerca de 11 biliões de dólares de dívidas destas empresas no mercado, mas que 70 por cento deste valor (8 mil milhões de dólares) dizem respeito a empresas norte-americanas.
Bancos de apoio ao desenvolvimento na Alemanha, ou agências imobiliárias no Canadá ou Japão contam como uma das principais partes para o restante valor.
Numa tabela que ilustra a análise dos técnicos do FMI, Portugal surge como o décimo país onde a dívida destas empresas comparada com o PIB maior valor apresenta em 2008, ligeiramente superior aos 5 por cento do PIB.
Na evolução para 2012, a dívida destas empresas terá subido para perto dos 15 por cento do PIB nacional, o maior salto entre estes 14 países, numa tabela que é claramente liderada pelos Estados Unidos.
O FMI explica que nestas contas foram incluídas as obrigações emitidas por empresas do Estado ou relacionadas com Estado, incluindo instituições financeiras e não financeiras, e que estão subavaliadas devido a constrangimentos na obtenção da informação utilizada para fazer estes cálculos, indicando que estas dívidas poderão ainda ser mais elevadas em alguns países.