O analista da Fitch para a economia portuguesa, Michele Napolitano, afirmou esta terça-feira que o pagamento antecipado dos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) «envia uma mensagem positiva» aos credores e às agências de rating.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma conferência organizada em Lisboa pela agência de ‘rating’, Napolitano disse que a intenção do Governo português de, tal como a Irlanda, devolver antecipadamente os fundos pedidos ao FMI, «envia uma mensagem positiva aos credores oficiais, aos credores privados e também às agências de rating».

«Não acho que seja demasiado cedo porque o Tesouro tem juros muito bons nos mercados e, por isso, financeiramente faz sentido reembolsar o empréstimo do FMI, que tem uma taxa de juro mais alta do que a que o Governo está a conseguir nos mercados», argumentou.

A 21 de janeiro, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, anunciou no parlamento que Portugal vai proceder ao pagamento antecipado do empréstimo contraído ao FMI durante o resgate financeiro do país.

A governante disse que o Estado acumulou «um montante de reservas de liquidez muito significativo» que permite «enfrentar com muita tranquilidade» eventuais dificuldades futuras.

Por isso, e tendo em conta aquilo que Maria Luís Albuquerque disse ser uma «situação de normalização do acesso ao mercado», Portugal «está em condições e vai iniciar os procedimentos necessários para o reembolso antecipado ao FMI».

De acordo com o calendário de amortizações de dívida direta do Estado do IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, Portugal começa a reembolsar o montante emprestado pelo FMI em 2015, estando prevista a amortização de 500 milhões de euros do envelope financeiro total de 26,91 mil milhões de euros concedido pelo Fundo.