A Fitch admite que os fatores que podem melhorar o rating de Portugal estão «inclinados para o lado positivo», mas alerta para preocupações internas, como o Orçamento e as eleições de 2015, e para a evolução da Grécia.

O analista da Fitch Michele Napolitano, que esteve hoje em Lisboa numa conferência organizada pela agência de notação financeira, afirmou aos jornalistas, à margem do evento, que o equilíbrio de fatores para melhorar o rating «está ligeiramente inclinado para o lado positivo», uma vez que «houve progresso em todas as áreas chave».

No entanto, Napolitano identificou duas preocupações internas: por um lado, «o orçamento de 2015, que [a Fitch] considera ser ligeiramente otimista» e, por outro lado, «as eleições legislativas».

«Estamos menos preocupados com Portugal do que com outros países, como Espanha, em termos de cenário pós-eleições. Em Portugal, o cenário pós-eleições é muito mais previsível e estável mas, ainda assim, para nós tomarmos uma ação de rating positiva, temos de ter a certeza que não há mudanças nas políticas cujo objetivo é reduzir o nível da dívida pública», explicou o analista da Fitch responsável pela economia portuguesa.

Além disso, Michele Napolitano referiu-se também à situação política na Grécia, considerando que, embora Portugal não esteja na linha da frente em termos de possíveis efeitos de contágio, a evolução da Grécia terá implicações em toda a zona euro.

«Temos de esperar para ver o que acontece na Grécia. Não consideramos que Portugal seja o primeiro da fila em termos de contágio se alguma coisa correr mal nas negociações da Grécia com a troika, achamos que isso é um risco para a zona euro como um todo», explicou o analista, acrescentando que, «se as negociações forem difíceis e a Grécia acabar por sair do euro, vamos ter de reavaliar os nossos ratings para toda a zona euro».

Para já, Napolitano destaca a redução do défice orçamental em 2014, que é «consistente com uma tendência de queda da dívida pública», a manutenção de excedentes nas contas externas e «mostras de que o setor bancário está suficientemente capitalizado para apoiar a recuperação económica».

Além disso, o economista também se referiu às mais recentes medidas de política económica do Banco Central Europeu (BCE), o quantitative easing, ou seja, os programas de compra de dívida pública, defendendo que esta decisão do BCE «tem um resultado bastante bom para os bancos portugueses».

Sem nunca revelar se a Fitch pretende melhorar o rating atribuído à dívida pública de longo prazo de Portugal, Michele Napolitano disse apenas que «é difícil dizer» qual o resultado da próxima revisão, agendada para 27 de março, destacando que, até lá, haverá indicadores orçamentais e económicos relevantes.

«Isso poderá dar-nos uma melhor indicação sobre se estamos errados ao ser um pouco pessimistas ou se estamos certos em sê-lo. Diria que o equilíbrio está mais inclinado para o lado positivo, mas há alguns fatores de risco elevado que podem pesar na decisão», reiterou.

A Fitch avalia a dívida pública portuguesa de longo prazo em nível de lixo, de BB+, uma notação que foi atribuída no final de 2011 e que foi confirmada em outubro de 2014. As perspetivas são positivas, o que quer dizer que poderá haver uma subida do rating no curto prazo.

De acordo com o calendário da agência de notação financeira, a Fitch deverá pronunciar-se sobre Portugal a 27 de março e, depois a 25 de setembro deste ano.