A agência de classificação de risco Fitch considerou hoje «essencial» avançar para a criação de uma verdadeira união bancária na zona euro para manter a confiança a longo prazo no setor financeiro.

«A união bancária é um elemento fundamental para que haja estabilidade a longo prazo na zona euro, mas isso levará tempo», disse a diretora geral para as instituições financeiras da Fitch, Briget Gandy, num comunicado a que a Lusa teve acesso.

Para Gandy, esta iniciativa ajudaria a criar uma base sustentável para o crescimento das economias nacionais, além de permitir uma melhor perceção entre as entidades financeiras e a dívida pública por elas detida.

A Fitch não antecipa nenhum impacto a curto prazo sobre o «rating» dos bancos europeus com a introdução da união bancária, mas acredita que a criação da união bancária teria um impacto positivo na grande maioria das instituições financeiras.

A Fitch considera ainda que se o Banco Central Europeu (BCE) exercer o seu papel de supervisor único, os relatórios sobre o risco dos grupos bancários serão mais facilmente comparáveis.

«Isto melhoraria a confiança dos investidores, o que proporcionaria um melhor acesso aos mercados de capitais por parte dos bancos e a um preço melhor», salienta.

No comunicado, a Fitch só destaca potenciais riscos negativos para alguns bancos nacionais e seus clientes em países mais fortes da zona euro.

Estas reflexões surgem depois da divulgação do relatório sobre o «Impacto da união bancária europeia nos bancos».

A Fitch espera que a Alemanha tenha um maior número de grupos bancários regulados pelo BCE, mas assinala que só avaliou entre 65% a 70% dos ativos bancários alemães, uma vez que cerca de 40% dos serviços prestados pela banca a retalho no país permanecem sob supervisão nacional.