A emissão de obrigações representou mais de metade da nova dívida contraída pelas empresas europeias no primeiro semestre deste ano, evidenciando que o financiamento bancário não está apetecível para as grandes empresas, segundo uma análise divulgada esta terça-feira pela Fitch.

«A emissão de obrigações representou a maior percentagem de sempre do total de nova dívida empresarial contraída na primeira metade de 2013, devido às baixas taxas de juro e aos constrangimentos nos empréstimos bancários», escreve a agência de rating Fitch numa análise publicada hoje, que sublinha que, na segunda metade, a tendência deve abrandar.

Nos primeiros seis meses deste ano, as empresas europeias emitiram 257 mil milhões de euros em obrigações, o que representa 52% dos 495 mil milhões de dívida nova, segundo os dados da Dealogic, superando largamente os 36% de obrigações no total de dívida das empresas entre 2008 e 2012.

O total de financiamento bancário no primeiro semestre chegou aos 238 mil milhões, sugerindo que deve chegar-se ao final do ano abaixo dos 500 mil milhões pela primeira vez na última década, o que representa um valor pouco maior que um terço dos 1.245 mil milhões de 2007, o maior valor até agora emprestado pelos bancos num só ano.

Em Portugal, a EDP, a Sonae, a Jerónimo Martins e o Sport Lisboa e Benfica foram algumas das empresas que recorreram a emissões de obrigações diretamente aos consumidores para financiarem a sua atividade.