O crédito concedido às empresas de construção em Portugal é inferior a 19 mil milhões de euros, colocando o financiamento bancário em mínimos de nove anos, alertou a federação do setor, citada pela Lusa.

Segundo a análise de conjuntura da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP), referente a agosto, o crédito atribuído pelos bancos estava no final de junho «aquém dos níveis de julho de 2004» e o número de trabalhadores do setor também se reduziu, regressando a valores dos anos 90 do século passado.

O estudo da FEPICOP refere ainda que no segundo trimestre deste ano, o Inquérito ao Emprego indicou que havia 301,9 mil trabalhadores neste setor, o que evidencia uma destruição de 11.200 postos de trabalho, face ao trimestre anterior, além de uma diminuição de 72.600 em relação há um ano.

As perspetivas de evolução do setor «permanecem sombrias» para a FEPICOP, com os indicadores que antecipam a evolução futura da produção a «manterem um perfil negativo».

Sobre o licenciamento habitacional, a análise da FEPICOP realça que «sofreu reduções homólogas assinaláveis durante o primeiro semestre de 2013», com quebras de 35,6% na área licenciada e de 40% no número de fogos licenciados.

Quanto aos dados do licenciamento para construção de edifícios não residenciais observou-se uma variação de -16,4%, salienta.

Já as adjudicações de concursos públicos, indicador que espelha a evolução do investimento público, registaram uma quebra homóloga de 25% em valor nos sete primeiros meses deste ano.

Face a estes dados, a análise da FEPICOP adverte para o que «o setor da construção vai continuar a defrontar-se com fortes dificuldades, refletidas no forte ajustamento que o tecido empresarial tem vindo a sofrer e que tem vindo a traduzir-se, entre outras situações, no elevado número de insolvências registadas na construção».

Em Portugal, até meados de agosto, 764 empresas, quase 20% do total de insolvências registadas no país, pertenceram ao setor da construção, conclui a análise.