O «Financial Times» diz que os casos de Portugal e Holanda refutam muitas das convicções existentes sobre o euro e a sua crise.

Num artigo publicado esta segunda-feira, o prestigiado jornal britânico foca-se nos dados relativos Às economias europeias, revelados na semana passada pelo Eurostat, nomeadamente na contração da economia holandesa e no crescimento da economia portuguesa, que foi mesmo o mais acentuado entre todos os países da moeda única.

Sublinhando que os dois países têm em comum o facto de serem economias de média dimensão na Europa, o jornal avança depois para o que distingue os dois países: a Holanda é uma economia típica do centro da Europa, ao passo que Portugal tem uma economia típica de país «periférico».

Por isso, e analisando os dados do Eurostat, o «Financial Times» diz que Portugal desmente o «mito», que tem vindo a ser seguido pela Comissão Europeia e pela restante troika, de que a disciplina orçamental é sinónimo de dinamismo económico.

«Contra aqueles que defendem a disciplina orçamental acima de tudo, a recessão holandesa demonstra que, nem finanças públicas sólidas nem grandes excedentes das correntes, são suficientes para prevenir bolhas de crédito», escreve o jornal.

A Holanda entrou em recessão no segundo trimestre deste ano, altura em que Portugal começou a crescer após dois anos e meio de recessão. Na Holanda, o endividamento representa 2,5 vezes o produto anual per capita e os preços das casas caíram 21%. Para o «FT», «isto não é senão uma versão mais leve do que aconteceu na Irlanda e Espanha».

O caso holandês mostra que «a crise, em muitos países do euro, está mais relacionada com má regulação interna do crédito, do que com os desequilíbrios de capital entre os países do euro», conclui.

Por tudo isto, o jornal acredita que a união bancária poderá ser a solução para uma regulação mais adequada, e para harmonizar as condições de acesso ao crédito. «O lado positivo de tudo isto é que o euro não é tão defeituoso como se pensa». «Fluxos de capital assimétricos não são incompatíveis com economias saudáveis ¿ a concessão de empréstimos no sector privado entre países mais ricos e mais pobres é desejável ¿ mas esse crédito deve financiar investimento produtivo. Isso requer melhores bancos. Depois de terem tentado tudo o resto, os líderes da Zona Euro estão finalmente a responder ao problema», acrescenta.