O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse esta sexta-feira que o programa de ajustamento definido com a troika pressupunha a consolidação da banca portuguesa, questionando porque é que tal não foi feito ou pelo menos pensado pelo anterior governo.

"No momento em que as recapitalizações foram feitas [2012 e 2013] era um elemento a considerar no programa de ajustamento. Até porque um dos objetivos do programa era a consolidação da banca", destacou o governante durante a sua audição no parlamento.

"Esta fusão [entre a CGD e o Banif], ou outras que pudessem acontecer, teriam sido passos no sentido de cumprir esses objetivos e na capacidade de reforçar a dimensão pública do setor financeiro", vincou.

E acrescentou: "Discutir hoje longamente essa questão não está em cima da mesa, mas é necessário explicar porque é que não foi sequer posta em discussão essa possibilidade na altura".


Olhando para dezembro último, Centeno voltou a afirmar que a solução preferida pelo executivo de António Costa para resolver o problema do Banif era a sua fusão com a Caixa Geral de Depósitos (CGD), explicando que a mesma salvaguardava a "estabilidade financeira e os recursos públicos" que estavam alocados no Banif.

"Explicámos [a Bruxelas] as razões dessa preferência. Mas a concretização do ponto de vista regulamentar da fusão do Banif com a CGD passava por levantar algumas restrições que a CGD tinha quanto à aquisição de outros bancos, porque a CGD ainda está com o processo de devolução de CoCo [instrumentos híbridos de capital], que ainda não foram pagos" pelo banco público ao Estado, assinalou o ministro.


E havia uma restrição adicional, sublinhou, explicando que "a passagem da atividade bancária do Banif tinha que se processar num processo competitivo, porque também implicava auxílios estatais".