O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, instou esta terça-feira os parceiros comunitários a implementarem as reformas estruturais acordadas e considerou erróneo tanto injetar mais liquidez no sistema como flexibilizar os limites do défice.

Num encontro em Berlim com meios de comunicação internacionais, o veterano democrata-cristão reiterou em várias ocasiões que o essencial é pôr em andamento e aplicar o combinado e aprovado, tanto em matéria laboral como em política económica e fiscal, e não procurar novas fórmulas para estimular o crescimento.

Sobre o debate da flexibilização dos prazos e das metas de redução do défice público na Europa, Schauble afirmou que «ninguém» no bloco comunitário defende a modificação do Pacto de Estabilidade e Crescimento, ainda que cada país ponha «diferentes tons» no mesmo discurso.

«Existem determinadas regras e é necessário cumpri-las», afirmou o ministro alemão, que considerou que os «instrumentos» adotados contra a crise europeia são «os corretos» e apontou os «êxitos» registados na Grécia, em Espanha, na Irlanda e em Portugal.

Schauble também considerou errada a estratégia do Banco Central Europeu (BCE) de injetar mais liquidez no sistema para promover o crescimento.

Em relação ao desemprego jovem na Europa, Schauble assegurou que o Governo alemão está «profundamente dececionado» porque ainda não se entregou «nem um centavo» de fundos europeus para combater o problema.

O ministro reconheceu que a chanceler Angela Merkel e o executivo desta estão incomodados porque um ano depois da aprovação da garantia para a juventude e do fundo de 6.000 milhões de euros para combater o desemprego entre os jovens o dinheiro ainda não chegou aos destinatários.

«Há um ano tínhamos um plano maravilhoso para combater o desemprego jovem, mas a implementação do mesmo falhou», assegurou.

A Iniciativa Emprego Jovem, a qual se dotou com 6.000 milhões de euros do atual orçamento comunitário, requeria que os países apresentassem um programa para pedir os fundos e a posterior aprovação de Bruxelas.

Até agora, a Comissão Europeia só apresentou um programa apresentado por França, ainda que se espere que nas próximas semanas dê luz verde a programas apresentados pela Grécia e Espanha.