A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque acusou esta quinta-feira o Governo de desperdiçar “deliberadamente” uma oportunidade no Orçamento do Estado para 2018, com as bancadas do PS e do BE a confrontarem-na com as políticas do executivo PSD/CDS-PP.

A deputada e vice-presidente do PSD fez a intervenção de fundo da bancada social-democrata no debate da proposta de Orçamento na generalidade no parlamento e lamentou que a consolidação mais visível no documento seja “uma estratégia de consolidação do poder no presente, e não uma estratégia de consolidação económica para o futuro”.

Não é surpreendente, mas é de lamentar que quem tem a responsabilidade de governar desperdice deliberadamente a oportunidade de assegurar um futuro mais sustentável”, criticou.

Maria Luís Albuquerque recordou os tempos em que era governante e Portugal estava sob ajuda externa, salientando que então as escolhas dos decisores políticos eram “muito limitadas”.

É quando o pior se ultrapassa e os graus de liberdade voltam a existir que se exige dos governantes a responsabilidade de não desperdiçar oportunidades, tanto mais que a memória dos custos que as escolhas erradas do passado nos impuseram não pode deixar de ser preservada e invocada”, disse, acrescentando que “muitos desses rostos estão hoje de novo sentados na bancada do Governo”.

A ex-ministra criticou no OE o que considerou ser a falta de medidas de longo prazo ou de apoio às empresas e a ausência de qualquer medida de estímulo à poupança, no único ponto da sua intervenção que mereceu a concordância do deputado socialista Paulo Trigo Pereira.

De facto, podia haver mais qualquer coisinha para a poupança”, admitiu o deputado do PS.

Já Maria Luís fez uma única referência positiva à proposta orçamental para o próximo ano: o facto de não conter qualquer menção à reestruturação da dívida, dizendo esperar que PCP e BE, que têm aprovado vários orçamentos sem esse aspeto, não voltem a colocar a proposta nos seus programas eleitorais em 2019.

Vai falhar novamente mais uma das suas previsões, o BE não vai mesmo desistir de continuar a suscitar a sua proposta de reestruturação da dívida pública”, respondeu o deputado do BE Pedro Soares.