A Grécia quer que o acordo que está a tentar alcançar com os seus credores possa produzir efeitos a partir de 01 de setembro, indicou uma fonte do Ministério das Finanças grego.

«É do nosso interesse que este acordo vigore a partir de 01 de setembro», disse à imprensa um responsável do Ministério das Finanças grego, citado por agências internacionais, quando os novos dirigentes políticos da Grécia, do partido de esquerda radical Syriza, se preparam para participar pela primeira vez numa reunião do Eurogrupo (ministros das Finanças da zona euro), na quarta-feira, e depois numa cimeira europeia, na quinta-feira.

O novo Governo grego tinha inicialmente sugerido que o acordo deveria entrar em vigor a 01 de junho.

Nas próximas negociações, acrescentou ainda a mesma fonte, a «linha vermelha» que a Grécia traça é poder aplicar as medidas que deseja para fazer o país sair da sua «crise humanitária» e obter «uma forte redução dos objetivos de excedente orçamental primário» que são impostos ao país.

A Grécia, explicou o responsável, que solicitou o anonimato, não quer ver-se obrigada a que este excedente primário (isto é, o saldo orçamental exterior à cobrança da dívida) ultrapasse 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Ora, o orçamento elaborado pelo anterior Governo prevê um excedente primário de 3% para 2015, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) fixa em 4% do PIB o excedente primário de que a Grécia precisaria para solucionar progressivamente a sua enorme dívida.

O país não quer mais planos de resgate como os que o obrigaram a uma severa «cura de austeridade» nos últimos anos, arriscando-se assim a perder, no fim de fevereiro, os 7,2 mil milhões de euros que lhe foram prometidos pela União Europeia se continuasse no programa.
Mas a fonte ministerial recordou que Atenas pretende ainda obter uma parcela desta quantia, 1,9 mil milhões de euros, correspondente a juros de obrigações a que tem direito.
A Grécia quer igualmente aumentar o limite das emissões de títulos do Tesouro a que tem direito. Na semana passada, falou em passar de 15 para 25 mil milhões de euros, ou seja mais 10 mil milhões de euros. Hoje, a fonte ministerial mencionou «oito mil milhões de euros».

O mesmo responsável emitiu diversos comentários sobre o que Atenas considera absurdos do plano de resgate.
Recordando que há 6,7 mil milhões de obrigações gregas detidas pelo Banco Central Europeu que vencem em julho e agosto, a fonte sublinhou que «com os programas de ajuda que (a UE) já não quer, teria sido preciso pedir emprestados à UE 6,7 mil milhões de euros para os dar ao BCE – no momento em que o BCE se prepara para imprimir milhares de milhões de euros».