O Ministério das Finanças fez questão de emitir um comunicado a garantir que não há qualquer  novo resgate financeiro em vista para Portugal, depois da chama lançada pelo ministro alemão com a mesma pasta, Wolfganf Schauble.

"Tendo em conta as declarações do Ministro alemão das finanças, Wolfgang Schäuble, e ainda que tendo sido imediatamente corrigidas pelo próprio, o Ministério das Finanças esclarece que não está em consideração qualquer novo plano de ajuda financeira a Portugal, ao contrário do que o governante alemão inicialmente terá dito".

Primeiro, Schauble afirmou que o país precisaria de aplicar um novo programa de ajustamento e que Portugal iria voltar a pedir ajuda externa.

Minutos depois, voltou um pouco atrás e suavizou o discurso, dizendo que não haverá essa necessidade, desde que as regras europeias sejam cumpridas.

Caminho é para continuar

O Governo, a esse propósito, declara que mantém a sua estratégia e promete continuar "focado no cumprimento das metas estabelecidas para retirar Portugal do Procedimento por Défices Excessivos", ou seja, conseguir baixar o défice para menos de 3%. 

"O mais recente sinal disso são os dados da execução orçamental conhecidos até ao momento", congratula-se a tutela.

O mesmo comunicado reitera ainda o "empenho do Governo português no cumprimento dos seus compromissos europeus, parlamentares e, acima de tudo, com os portugueses".
 
Aludindo ao Brexit e ao clima de incerteza europeu, o ministério liderado por Mário Centeno manifesta a importância da "serenidade"  para, com "responsabilidade", trabalhar pelo projeto europeu.

Recuar cinco anos (mas não em tudo)

Apesar das afirmações do ministro alemão, nem a bolsa portuguesa, nem a dívida pública se ressentiram negativamente.

O PS, partido do Governo, criticou o ministro alemão, realçando que "a última coisa que a Europa precisa é de mais incendiários". João Galamba (no vídeo em cima) classifica as suas declarações, "embora rapidamente corrigidas", de "enorme irresponsabilidade". 

Vindo tais afirmações do homem forte de Angela Merkel, vista por muitos como o farol da liderança europeia, o susto, pelo menos esse, é inevitável. E faz-nos recuar a 2011 quando, no Governo de José Sócrates, Portugal se precipitou pela terceira vez na História da Democracia para os braços da ajuda externa.

Quatro anos depois, o na altura ministro com a mesma pasta, Teixeira dos Santos, reconheceu que o resgate era «fatal como destino».