Os ministros das Finanças de Portugal e França defenderam esta sexta-feira a necessidade de um esforço adicional para revitalizar o crescimento económico e afastar o cenário de uma baixa inflação, mantendo paralelamente a credibilidade das instituições europeias.

Em comunicado conjunto enviado à Lusa, após a reunião que mantiveram hoje em Lisboa para abordar temas europeus de interesse comum, Maria Luís Albuquerque e Michel Sapin – que efetua a primeira visita a Portugal enquanto titular da pasta – frisaram também que «é igualmente crítico elevar o potencial de crescimento da Zona Euro», depois de concordarem que, em termos gerais, «a Europa e a União Económica e Monetária atravessam um período difícil».

Quanto ao debate que se aproxima sobre o pacote de investimento da Comissão Europeia, os dois ministros consideraram que «é particularmente bem-vindo, promovendo projetos de valor acrescentado a nível europeu, assentes numa articulação eficiente entre investimento público e privado», segundo o documento.

A propósito do imposto sobre transações financeiras, Albuquerque e Sapin «reconheceram as dificuldades técnicas associadas a este tipo de imposto – que devem ser resolvidas –, mas também os progressos já alcançados» e reiteraram o seu «compromisso em finalizar propostas concretas para um primeiro passo neste âmbito até ao final do ano», lê-se no texto.

À saída do encontro de hoje com a sua homóloga portuguesa, Michel Sapin já reafirmara que uma harmonização fiscal na União Europeia é fundamental para o futuro da Europa, apesar da oposição do Luxemburgo.

«Não podemos desejar ter um mercado único, liberdade de circulação de capitais, com uma disparidade fiscal, em particular na fiscalidade económica, na fiscalidade financeira. Temos muita necessidade dessa harmonização fiscal», insistiu o ministro francês.

Sapin enalteceu a harmonização fiscal como um ponto «de ligação» com o Governo português, congratulando-se por ter sido inscrita no Orçamento do Estado português para 2015 a criação da taxa sobre as transações financeiras, uma medida que chegou a constar em orçamentos anteriores mas nunca avançou.

«As próximas semanas são cruciais para a zona euro e para cada um dos países. Temos de fazer propostas sobre o crescimento para o conjunto da zona euro», disse o ministro francês, referindo-se às propostas para um plano de investimento de 300 mil milhões de euros para os próximos três anos que na próxima semana vão ser apresentadas pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, no Parlamento Europeu.

Michel Sapin lembrou que só com mais crescimento vai ser possível criar mais emprego, mais riqueza e equilibrar o orçamento dos Estados, mas ressalvou as diferenças entre os países.

«Estamos todos unidos na zona euro, com a mesma moeda, mas somos todos diferentes. Por isso, temos de ter em conta as diferenças entre países, económicas, sociais», sublinhou.