A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Teodora Cardoso, afirmou hoje que esta «é a pior altura possível» para falar de reestruturações da dívida, porque isso penaliza as taxas de juro, que é «o que se quereria evitar».

«Portugal cumpriu o programa, está a sair do programa, quer regressar aos mercados e tem condições para isso. Esta é a pior altura possível para falar de reestruturação da dívida, que tem como consequência a subida das taxas de juro, que é precisamente aquilo que se quereria evitar», disse a economista aos jornalistas à margem da conferência sobre o pós-troika, organizada pelo Jornal de Negócios e pela Rádio Renascença, que decorreu hoje em Lisboa.

Para Teodora Cardoso, «é a economia que tem de ser reestruturada, não é a dívida que tem de ser reestruturada».

Afastando a reestruturação como uma opção a considerar para reduzir o endividamento, a presidente do CFP alertou que, «se [Portugal] estivesse numa situação catastrófica, não haveria outro remédio, como não houve na Grécia».

«Mas, de facto, nós não somos a Grécia e agora parece que estamos a querer ser a Grécia», disse, acrescentando que «este manifesto dá a ideia que não se acredita na capacidade do país de disciplinar o orçamento e [que] pode ser essa a leitura dos credores e dos investidores e isso seria uma desgraça».

Para Teodora Cardoso, o que há a fazer para resolver o elevado nível de endividamento do país é «pôr a economia a crescer» e garantir «mais disciplina orçamental».

O manifesto divulgado na terça-feira, subscrito por 74 personalidades, considera que a dívida pública de Portugal é insustentável e que não permite ao país crescer, pelo que defende uma reestruturação que deve ocorrer no quadro europeu.