O Millennium BCP cancelou os últimos 2.250 milhões de euros de dívida que emitiu com a garantia do Estado quando a crise financeira fechou o acesso da banca portuguesa a financiamento nos mercados internacionais, anunciou o banco.

Banif amortizou o empréstimo obrigacionista do Estado

Num comunicado divulgado esta quarta-feira no site da Comissão de Mercado e Valores Mobiliários, o BCP refere que recomprou e cancelou 750 ME de Floating Rate Notes garantidas pelo Estado com maturidade em Dezembro de 2014 e 1.500 milhões de euros também deste tipo de Floating Rate Notes que expiravam em Fevereiro de 2017.

Após o eclodir da crise financeira, em 2011 e 2012, à semelhança de outros bancos, o BCP emitiu obrigações garantidas pelo Estado uma vez que a banca portuguesa perdeu o acesso a financiamento nos mercados internacionais devido à crise financeira.

O banco chegou a ter um montante de 6.000 milhões de euros de emissões em obrigações com garantia estatal. Em 2013, custos totais com juros deste tipo de obrigações ascenderam a cerca de 60 milhões de euros.

Entretanto, o cenário para a banca portuguesa mudou substancialmente, tendo a maioria dos bancos reganho acesso ao financiamento de mercado e até reforçado os capitais por meios próprios.

Em Julho, o BCP levantou 2.250 milhões num «cash cal» com robusta procura, incólume à turbulência em torno do Grupo Espírito Santo, tendo como um dos objetivos antecipar o pagamento da cara ajuda estatal que tinha usado para reforçar o seu capital em 2012.

Recentemente, o BCP antecipou um reembolso de 1.850 milhões de CoCos ao Estado, que se somou a uma tranche anterior de 400 milhões que já tinha pago.

O BCP apenas tem em carteira 750 milhões de euros de Cocos, que serão reembolsados até ao início de 2016.

Em meados de 2012, o BCP usou 3.000 milhões da linha do resgate de Portugal para reforçar o seu capital e o plano inicial, que tinha a chancela de Bruxelas, era pagar 400 ME de CoCos este ano e apenas tinha de reembolsar os restantes 2.600 ME no segundo semestre de 2017.

Entretanto, o BCP convocou os acionistas para aprovarem a adesão ao novo regime de impostos diferidos, que reforçará o rácio de capital CET1 nuns fortes 286 pontos base, nas vésperas dos testes de stress do Banco Central Europeu (BCE).

Esta Assembleia Geral de acionistas está prevista para 15 de Outubro, ou seja antes do BCE fazer um exame sem precedentes à saúde dos 131 maiores bancos da zona euro em Novembro.