A liquidez cedida pelo Banco Central Europeu à banca portuguesa aumentou 1,9% em Novembro último para 33.977 milhões de euros, a primeira vez que a dependência agrava desde Setembro de 2013, segundo dados do Banco de Portugal.

Os bancos portugueses têm vindo a reduzir a sua dependência de financiamento do BCE, a aumentar o funding através de depósitos e a conseguir aceder ao mercado de bonds que, em Maio de 2010, com o agravamento da crise financeira, se fechou para a banca nacional.

Entretanto, Portugal normalizou o acesso ao mercado de dívida soberana de longo prazo, com leilões e emissões várias, e os juros em mínimos recorde, tendo os bancos nacionais também recuperado acesso ao mercado.

O máximo de 60.502 milhões de euros de financiamento pedido ao BCE ocorreu em Junho de 2012, no pico da grave crise de dívida soberana.

O sector financeiro português foi ensombrado pela resolução do Banco Espírito Santo este Verão, estando em curso o processo de alienação do Novo Banco.

A 3 de Agosto, Portugal salvou BES, capitalizando o Novo Banco em 4.900 milhões de euros. Mas o Tesouro, usando a linha pública prevista no resgate do país, concedeu um empréstimo, que entretanto já baixou para 3.900 milhões ao Fundo de Resolução, com um prazo de três meses, renovável até um máximo de dois anos e uma taxa crescente para incentivar o reembolso.

Alguns banqueiros têm alertado que, caso o Novo Banco seja alienado por menos do que os 4.900 milhões de euros de capital injetado através do Fundo de Resolução, os restantes bancos do sistema teriam de reconhecer imparidades entre a diferença do valor de venda e aquele montante, penalizando os seus resultados.