A produção na papeleira Soporcel, na Figueira da Foz, esteve «parada na totalidade» nas últimas 24 horas devido a uma greve que terminou na madrugada deste sábado, disse uma fonte sindical à agência Lusa.

Vítor Abreu, porta-voz da comissão sindical desta empresa do grupo Portucel-Soporcel, localizada em Lavos, arredores da Figueira da Foz, disse que a adesão à greve foi superior a 90% nos três turnos, entre as 04:00 de sexta-feira e as 04:00 de hoje.

Durante a greve, «foi garantida a segurança dos equipamentos e de todo o complexo industrial», que emprega mais de 700 pessoas, tendo a direção sindical e a direção fabril «respeitado o acordo prévio» estabelecido entre si.

Às 04:00, as duas partes «acompanharam o processo de arranque da produção», tal como tinha acontecido com a interrupção da laboração, na madrugada de sexta-feira.

Vítor Abreu lamentou «a ausência total de alguém da administração», durante a greve, desejando que a empresa «tenha a iniciativa de ter um diálogo sério e construtivo» com as estruturas representativas dos trabalhadores.

«Ficamos preocupados com o autismo da administração», uma situação que, segundo o mesmo dirigente, «poderá ter consequências graves para os trabalhadores, para a empresa, para os acionistas e para a Figueira da Foz».

Da parte da administração, «não há uma resposta, como se estivesse sem ver e sem ouvir», referiu.

Os trabalhadores da Soporcel vão cumprir um segundo dia de greve, com início às 04:00 de 21 de novembro, por questões relacionadas com o fundo de pensões da empresa e a falta de negociação, imputada pelo sindicato à administração, de um caderno reivindicativo, entre outras.

Na sexta-feira, a administração do grupo Portucel-Soporcel considerou que a greve na unidade fabril de Lavos e o pré-aviso para nova paralisação impedem um «diálogo construtivo».

Uma fonte do grupo manifestou à Lusa a intenção de encontrar com os trabalhadores «soluções sustentáveis para todos os assuntos relevantes», frisando que o «diálogo permanente sobre todos os temas importantes» e a «paz laboral» são um «património fundamental» da empresa.