
Portugal não deverá conseguir evitar uma reestruturação da dívida, considerou hoje o economista João Ferreira do Amaral, para quem o país tem atualmente um problema de endividamento «intratável».
O professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) falava sábado à tarde na conferência «Crise da zona euro: cenários para a Europa», organizada em conjunto pelo Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal (do Partido Socialista) e pela fundação Friedrich Ebert.
«É difícil com este grau de endividamento evitar a reestruturação da dívida, de preferência através de mecanismos comunitários, desde que se admita que se mantém na zona euro», disse o economista, citado pela Lusa, considerando que, tal como na Grécia, também Portugal tem um problema de endividamento «intratável».
Para João Ferreira do Amaral, o modelo que está a ser seguido como solução para Portugal sair da crise é «errado», ao passar pela «redução drástica do nível vida e por efeitos na procura interna e atividade económica com aumento do desemprego».
Além disso, acrescentou, um modelo que passa pela redução dos rendimentos, sobretudo dos salários, leva a uma valorização das dívidas das famílias (já que têm menos rendimento para as pagar) e a aumentos das insolvências, o que, disse, «pode mesmo pôr em causa o sistema financeiro».
Neste sentido, o professor universitário defendeu que Bruxelas deveria dar às regiões periféricas instrumentos que permitam a convergência do crescimento com o centro europeu, como a discriminação positiva de setores económicos (por exemplo, em termos fiscais) e a desvalorização cambial.
Ainda assim, afirmou João Ferreira do Amaral, nem estas medidas seriam suficientes para resolver o endividamento. pelo que será «difícil» Portugal evitar uma reestruturação da sua dívida, provavelmente da dívida pública.