O presidente da TAP, Fernando Pinto, acredita que a greve de dez dias ainda pode ser desconvocada, revelando que nos últimos dias a companhia deu palestras a 400 pilotos para tomarem decisões acertadas.

"Os pilotos passam os dias a tomar decisões", realçou Fernando Pinto, adiantando que, nos últimos dias, a TAP promoveu quatro palestras, para 400 pilotos, para lhes dar "o máximo de informação para poderem tomar decisões acertadas".

Depois de ter sido recebido pelo Presidente da República, no Palácio de Belém, o presidente da TAP mostrou estar otimista nas negociações que estão a decorrer com o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), considerando que "há preocupação de todos os lados pelo bem da empresa".

Ainda assim, o gestor considerou que os dois pontos que estão na origem da convocação da paralisação “são difíceis”, sendo tópicos que não são responsabilidade do Conselho de Administração da TAP, mas do Governo.

Esta sexta-feira, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) divulgou que estima que as perdas diretas dos dez dias da greve não ultrapassam os 30 milhões de euros, menos de metade do valor avançado pela companhia,  70 milhões de euros. 

O presidente da TAP recusou-se a comentar a contradição entre as estimativas das perdas feitas pelo sindicato dos pilotos e pela empresa, considerando que “30 ou 70 milhões de euros são valores de extrema importância” para a companhia.

Os pilotos da TAP marcaram uma greve, entre 1 e 10 de maio, por considerarem que o Governo não está a cumprir o acordo assinado em dezembro de 2014, no que se refere às diuturnidades, nem um outro, estabelecido em 1999, que lhes dava direito a uma participação no capital da empresa no âmbito da privatização.

Questionado pelos jornalistas sobre a troca de acusações entre as partes, Fernando Pinto desvalorizou, considerando que “há sempre um choque neste tipo de situação”. Mais importante, acrescentou, é “ultrapassar isto [impasse] o mais rápido possível”.

“Não acho que seja inevitável”, disse o gestor que esteve reunido com Cavaco Silva, no Palácio de Belém, durante cerca de 45 minutos, liderando uma delegação constituída pelo presidente do Conselho Geral e de Supervisão, um comandante de voo sénior e um elemento sénior do pessoal de cabine, no âmbito do 70.º aniversário da companhia aérea.