A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) estima que as viagens turísticas dos portugueses no verão tenham crescido cerca de 10%, em linha com aquela que vai ser a recuperação do ano.

Em termos de lazer dos portugueses, no final do verão "é absolutamente garantido que se manteve o clima e os números da recuperação. Estimamos que tenhamos atingido no final de agosto crescimentos muito próximos dos 10% no mercado português", disse o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, à Lusa.

O responsável atribui esta recuperação das viagens de lazer dos portugueses, sobretudo, ao "retomar da confiança dos consumidores", lembrando que o início da crise colocou o mercado interno "numa situação muito delicada", decorrente da falta de rendimento disponível, por um lado, e da quebra de confiança, por outro.

"Neste momento, não há factos para dizer que exista uma recuperação do rendimento disponível, há, quanto muito, uma recuperação de confiança, que tem dado aos portugueses uma maior vontade de viajar", reforçou.

"O primeiro sinal do ano turístico que temos é na Pascoa, depois o verão e depois - a cereja em cima do bolo - o final de ano. E o ano tem corrido bem, de um modo geral. Há crescimento, ou melhor, há recuperação sustentada. Em 2013 teremos batido no fundo, em 2014 tivemos um primeiro sinal de recuperação e em 2015 teremos a consolidação desse sinal de recuperação", afirmou Pedro Costa Ferreira.

Num ano em que se esperam novos recordes turísticos em Portugal, o presidente da APAVT mantém uma "grande esperança de que para o próximo ano este ritmo de recuperação continue" também no mercado interno.

Em termos de destinos, à semelhança dos anos anteriores, os portugueses elegeram para as suas férias de verão, em termos de longo curso, essencialmente o Brasil, as Caraíbas e Cabo Verde, e em Portugal o Algarve e a Madeira.
 

Crescimento de dormidas, hóspedes e estrangeiros


O crescimento “perto dos dois dígitos” nas dormidas e hóspedes e o aumento das dormidas de estrangeiros a um ritmo superior ao dos residentes são os destaques da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) na análise ao verão.

“Neste verão estamos a falar de um crescimento perto dos dois dígitos, na ordem dos 8/9%, tanto no número de dormidas como de hóspedes, portanto há uma tendência para a manutenção de um crescimento muito perto dos anos anteriores”, afirmou o presidente da AHP, Luís Veiga, em declarações à agência Lusa.

Tendo por base os dados estatísticos disponíveis até julho e já alguns indicadores relativos a agosto, o dirigente associativo apontou ainda como “aspeto positivo” o facto de as dormidas de estrangeiros “continuarem a aumentar ligeiramente face às de residentes”.

“Já passámos da divisão habitual de 70% não residentes e 30% residentes para cerca de 75%/25% este verão, o que quer dizer que há claramente um crescimento superior dos estrangeiros, nomeadamente nas dormidas, o que significa que eles estão a ficar mais tempo em Portugal, ou seja, estão a melhorar a estada média”, disse Luís Veiga.

Já ao nível dos hóspedes, explicou, “a repartição não é bem assim”, ficando-se pelos 60% de turistas estrangeiros face aos residentes.

Pela negativa, o presidente da AHP destacou o facto de “não haver uma repartição equitativa deste crescimento”, já que as dormidas “continuaram muito concentradas em três regiões: Norte, Lisboa e Algarve”.

“Estes três destinos têm 80% das dormidas de estrangeiros e, acrescentando a Madeira, chegam aos 95% das dormidas, ou seja, os outros 5% são distribuídas pelas restantes regiões do Centro, Alentejo e Açores, o que revela uma disparidade enorme”, salientou.

Segundo Luís Veiga, esta situação é particularmente notória desde há cerca de dois anos, na sequência do “crescimento muito grande dos destinos de Lisboa e Porto devido ao fenómeno do turismo urbano associado aos transportes aéreos”.

Como resultado, o Revpar [receita por quarto disponível] de Lisboa é atualmente “três vezes superior” ao da região Centro, “que é a que tem o pior desempenho”, enquanto a taxa de ocupação é duas vezes superior, também fruto do “nível de portagens elevadíssimo” no Centro, que é “uma grande região com 100 municípios e de muito difícil acesso”.