O secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública  (FESAP) criticou hoje a intenção do Governo de congelar as atualizações salariais em 2017, defendendo que deve haver aumentos pelo menos para trabalhadores que ganhem menos de 630 euros.

Em entrevista publicada hoje no Público, o primeiro-ministro, António Costa, disse que a reposição de salários da função pública fica concluída este mês, mas que só em 2018 está previsto retomar as “atualizações” e “encarar questões de fundo relativamente às carreiras”.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da FFESAP salientou que os trabalhadores estão "dispostos a protestar e a lutar para sensibilizar o primeiro-ministro".

Seria uma injustiça tão grande se não se verificassem aumentos salariais. A FESAP percebe que pode haver por parte do Governo dificuldades em aumentar todos de igual forma, por isso, consideramos que devem ser corrigidos os salários mais baixos, abaixo dos 630 euros”, disse.

A FESAP considerou que se o Governo teve sensibilidade para aumentar no próximo ano as pensões, deve também fazê-lo para os salários mais baixos.

Como existe uma preocupação, uma sensibilidade do Governo em manter, procurar melhorar o rendimento das famílias, particularmente dos que ganham menos, seria uma injustiça gritante se houvesse aumento de pensões e isso não se verificasse para os que estão no ativo e ganham menos de 630 euros”, sustentou.

Na entrevista ao Público, o primeiro-ministro afirmou que as atualizações dos salários na função pública só poderão ocorrer em 2018 e admitiu nova tributação indireta no Orçamento do Estado para o próximo ano.

Concluímos agora, no mês de outubro, a reposição integral dos salários. Significa que em 2017 os funcionários públicos ganharão durante 14 meses o que ganharam só durante três meses deste ano. É sabido que o nível de inflação está baixo e que em 2018 temos previsto retomar as atualizações, bem como encarar as questões de fundo relativamente às carreiras”, disse António Costa ao Público.